Dificuldades no setor dos transplantes em Portugal em debate

Face ao protocolo para aumentar o número de órgãos, assinado no passado dia 7 de outubro, entre o Instituto Português do Sangue e Transplantação/INEM/Centro Hospitalar de S. João (CHSJ), a Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT) alerta que este tipo de colheitas é uma forma de incrementar o número de órgãos, mas não pode ser visto como o método que conseguirá resolver o seu défice. Apesar do programa ser nacional, só se encontra operacional no Porto e é urgente o seu alargamento a todo o país. Por outro lado, continua a faltar uma reorganização urgente da coordenação hospitalar para a doação e colheita de órgãos.

Susana Sampaio, presidente da SPT adianta que “Portugal situa-se num lugar cimeiro a nível mundial na colheita de órgãos, mas o número disponível não consegue suprir as necessidades”.

Este e outros temas que preocupam a classe médica serão debatidos no mais importante congresso nacional e internacional na área da transplantação, que se realiza em Portugal. Representado pelas três Sociedades de Transplantação: Sociedade Portuguesa de Transplantação (SPT), Associação Brasileira de Transplante de Orgãos (ABTO) e Sociedade Espanhola de Transplante (SET), o encontro vai decorrer de 13 a 15 de outubro, no Centro de Congressos do Porto Palácio Hotel.

Existem Unidades de Cuidados Intensivos que não atingiram o potencial máximo de sinalização de dadores em morte cerebral.

As políticas de incentivo à transplantação devem ser garantidas, o que passa por permitir que as unidades de transplantação tenham os recursos humanos necessários para assegurarem a atividade assistencial. Muitas delas estão a trabalhar no limite. As unidades de cuidados intensivos também necessitam de mais recursos. A manutenção de um potencial dador consome tempo e recursos humanos, o que, em algumas unidades, é um fator limitante para a sinalização dos dadores. A reorganização dos gabinetes de coordenação e a revisão dos critérios de alocação de órgãos estão desatualizados e não cumprem a sua obrigação de justiça, a SPT já alertou para este fato com realização de fóruns em 2011 e 2015.
Temas em debate no Congresso:

– A doação em vida e os problemas éticos associados, nomeadamente o dador altruísta, será um dos temas principais do encontro, em sessões que funcionarão como ponto de partida para debater um assunto muito controverso.

– “Como aumentar a doação” é o mote para uma sessão que conta com especialistas espanhóis (país com uma das maiores taxa de colheita por milhão de habitantes) e que nos transmitirão a sua experiência, no programa de doação cruzada e colheita em dador de coração parado”.

– As infeções multirresistentes e fúngicas, bem como as suas consequências, na sobrevivência do doente e do órgão, é outro assunto que preocupa a classe médica e que será abordado.

– Os novos fármacos disponíveis para o tratamento da hepatite C e o seu impacto no transplante quer renal quer hepático, é outro assunto a debater e que se encontra na ordem do dia.

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