Russos vão investigar homicídio do embaixador na Turquia

Um grupo de 18 investigadores, agentes dos serviços secretos e diplomatas russos seguiu esta terça-feira para a Turquia, para apoiar a investigação ao homicídio do embaixador russo em Ancara, Andreï Karlov, anunciou o Kremlin.

“O grupo vai operar na Turquia no quadro do inquérito sobre a morte do embaixador da Rússia Andreï Karlov, conforme acordado pelos Presidentes russo e turco durante a sua conversa telefónica” na noite de segunda-feira, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

As autoridades turcas detiveram seis pessoas na sequência da investigação, de acordo com a estação de televisão turca NTV. Entre os detidos encontram-se o pai, a mãe e a irmã do alegado assassino, Mevlüt Mert Altintas, que foram presos durante a noite em Soka, cidade natal do atacante, situada no oeste da Turquia. O jornal da oposição Hürriyet informou que uma das pessoas detidas é o companheiro de casa do alegado autor do crime.

Segundo a imprensa local, a polícia está a investigar a ligação entre o assassino e a organização do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, autoexilado nos Estados Unidos desde 1999 e que se converteu num crítico aberto do Presidente, e que Ancara acusa de estar por detrás do fracassado golpe do passado 15 de Julho.

Fethullah Gulen, líder religioso turco exilado nos Estados Unidos, mostrou-se esta terça-feira “profundamente chocado e entristecido” pelo assassinato do embaixador russo na capital da Turquia.

“Condeno de forma vigorosa este ato de odiável terror”, disse Fethullah Gulen num comunicado difundido após a morte do diplomata russo. “Nenhum ato terrorista pode ser justificado, seja quem for o autor e as suas motivações. O povo turco e o mundo esperam a realização de um inquérito, por parte do governo, sobre as circunstâncias deste acontecimento para que sejam identificados os ajudantes do autor e para que sejam tomadas medidas. Para que o mesmo não volte a acontecer.”

Fethullah Gulen, exilado nos Estados Unidos desde o final dos anos 1990, tem desmentido as acusações de envolvimento no golpe militar de Julho que já levou à prisão de 37 mil pessoas e suspensão de outras 100 mil dos cargos que ocupavam na administração do Estado.

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