Açores profundamente empenhados no Centro de Investigação do Atlântico

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar afirmou ontem, em Postdam, na Alemanha, que o Governo dos Açores está “profundamente empenhado” na criação do Atlantic International Research Center (AIR Center) no arquipélago, destacando o contributo que este projeto pode dar para “o desenvolvimento científico da Região e, consequentemente, para o progresso e bem-estar da sociedade” açoriana.

Filipe Porteiro salientou que este Centro pretende promover a investigação e a observação integradas do Atlântico, no que concerne a áreas como o espaço e o oceano, e as suas implicações para o clima, e ainda a energia sustentável em ambientes insulares.

O Diretor Regional, que falava numa numa mesa-redonda sobre a cooperação entre Portugal e Alemanha na área da investigação, no âmbito do AIR Center, afirmou que as entidades promotoras deste projeto estão “a criar as condições e as parcerias necessárias” para que os Açores sejam “o ponto nevrálgico” desta infraestrutura de promoção do conhecimento integrado, através da cooperação norte-sul/sul-norte no Atlântico.

Na sua intervenção, Filipe Porteiro salientou que as equipas científicas dos Açores ligadas às ciências do mar possuem “um longo historial de parceria e colaborações com as suas congéneres alemãs, desde finais dos anos 80 do século passado”, acrescentando que a Região pretende “intensificar a cooperação científica com as instituições alemãs no conhecimento dos ecossistemas marinhos”.

Nesse sentido, apontou o AIR Center como uma forma de “alavancar esta estratégia”, em sintonia com os objetivos estabelecidos na Declaração de Galway para a Cooperação no Oceano Atlântico e desenvolvidos pela Aliança para a Investigação do Atlântico.

Filipe Porteiro lembrou que cientistas dos centros de investigação regionais têm integrado campanhas oceanográficas e projetos nas áreas da biodiversidade e ecologia dos sistemas profundos, campos hidrotermais da Crista Média Atlântica, montes submarinos e agregações de corais de profundidade, acrescentando que, mais recentemente, “têm sido parceiros em projetos que visam determinar e mitigar os impactos das atividades humanas nesses ecossistemas remotos e de difícil acesso”.

O Diretor Regional apontou ainda a robótica marinha como outra das áreas de cooperação entre as equipas nacionais e alemãs, que usam os Açores como cenário de demonstração, teste e desenvolvimento tecnológico.

Filipe Porteiro defendeu a importância do investimento na investigação “como meio de produção de conhecimento”, frisando que “as sociedades e as economias baseadas no conhecimento são mais inclusivas e suportam melhores decisões políticas”.

“Depositamos esperanças na instalação do AIR Center nos Açores para a promoção da cooperação entre ciência e os agentes sociais e económicos, numa perspetiva de desenvolvimento sustentável”, disse.

Segundo Filipe Porteiro, pretende-se que este centro de investigação contribua para que a Região, o país e a comunidade atlântica envolvida “atinjam os objetivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas”.

Esta mesa-redonda, que está a decorrer no Centro Alemão de Investigação em Geociências (GFZ), tem como objetivo identificar mecanismos bilaterais e europeus que possam incrementar a cooperação e mobilidade científica entre a Alemanha e Portugal em ciências marinhas, mas também em áreas afetas à bioeconomia e ao clima, no âmbito do AIR Center.

Este encontro contou com a participação do Ministro da Ciência português, Manuel Heitor, e do Secretário de Estado de Educação e Investigação do governo alemão, Georg Schutte, bem como de agências de financiamento alemãs e vários investigadores, entre os quais um investigador do MARE-Açores/IMAR.

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