‘Ensino profissional pode ser uma poderosa arma de combate ao desemprego’

O Secretário Regional da Educação e Cultura afirmou ontem, em Angra do Heroísmo, que a “coexistência” entre o ensino regular e o subsistema das escolas profissionais nos Açores “ainda é insuficiente”.

Avelino Meneses, que falava no Encontro Educação e Autonomia, promovido pelo Governo dos Açores e pelo Conselho Nacional de Educação para debater as questões mais marcantes da educação na Região nos últimos 40 anos, apontou como causas para esta situação a “debilidade” do tecido empresarial na absorção dos formandos e a “irregularidade” no financiamento dos cursos e escolas.

A estas razões acresce, segundo Avelino Meneses, “a tentação de converter o ensino profissional em refúgio dos menos capazes”, transformando este nível de ensino “em recurso de última instância, de recuperação do abandono precoce e de remediação do insucesso escolar”.

Na sua intervenção, o titular da pasta da Educação defendeu, por isso, que a “prioridade” de formação de profissionais nas escolas, ainda antes da criação de cursos específicos, “exige a implementação de um ensino mais prático para todos”.

Avelino Meneses frisou ainda que a criação de cursos profissionais “é para todos e não apenas para aqueles que caíram nas malhas do insucesso”, acrescentando que só deste modo os cursos profissionais “serão poderosas armas de combate ao abandono, à desqualificação, ao desemprego e à marginalidade”.

Para o Secretário Regional, o ensino profissional possui “a mesma dignidade que o ensino regular” e deve, por isso, “suscitar a escolha da maioria da população escolar”, pelo menos “a partir de uma certa idade”, já que esta opção “não ficará inibida de qualquer vantagem, inclusivamente do acesso à universidade”.

Caso contrário, acrescentou Avelino Meneses, se, “por qualquer motivo”, a via profissional for conotada “com uma oferta de segunda categoria, o projeto ficará necessariamente comprometido”, já que não reunirá a confiança dos alunos, dos pais e encarregados de educação e das empresas.

O Secretário Regional da Educação e Cultura realçou, igualmente, os dados “animadores” já alcançados com a implementação do ProSucesso – Açores pela Educação, programa de promoção do sucesso escolar, um projeto desenhado para 10 anos já que o “tempo pedagógico não se compadece com o tempo político”.

O encontro, além de Avelino Meneses e do presidente da Conselho Nacional de Educação (CNE), David Justino, contou com intervenções de Reis Leite, Secretário Regional da Educação nos primeiros governos dos Açores, Ana Bettencourt, especialista em educação e antiga presidente do CNE, Fabíola Cardoso, antiga Diretora Regional da Educação, e do ex-conselheiro do CNE, Victor Rui Dores.

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