Mensagens contra o tabaco devem ter em conta diferença entre sexos

Os dados são recentes: o consumo de tabaco apresenta uma subida de prevalência ao longo da vida, de acordo com o IV Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas da População Geral 2016/2017, publicado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências. E é o mesmo relatório que avança que esta subida “se deve sobretudo ao aumento do consumo entre as mulheres”. É por isso que Alfredo Martins, coordenador do Núcleo de Estudos de Doenças Respiratórias (NEResp) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), considera que ainda que não seja “determinante criar mensagens dirigidas especificamente ao sexo feminino”, é importante, “para aumentar a sua eficácia, a inclusão de algumas especificidades de sexo (masculino ou feminino) nessas mensagens”. Um alerta deixado a propósito do Dia Europeu do Ex-Fumador, que se assinala a 26 de setembro.

Não será por falta de informação sobre os riscos do tabaco que muitos portugueses continuam a fumar, concorda Alfredo Martins. O especialista da SPMI confirma que fala sobre o assunto em todas as primeiras consultas e nas subsequentes no caso de fumadores ativos e passivos e é com base nas observações feitas que acredita “que os portugueses estão hoje mais informados sobre os riscos do tabaco para a sua saúde e para a saúde dos outros. Esse conhecimento não é contudo suficiente para que tenham uma consciência plena e duradoura desse risco, sobretudo nos que continuam a fumar e que são, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2014, 30% dos homens e 15% das mulheres”.

Para deixar de fumar, a vontade é “o fator mais importante para o sucesso da decisão de cessar o tabagismo”, mas sozinha não chega. “Está demonstrado que o aconselhamento dos médicos e de outros membros da equipa de saúde melhoram as taxas de sucesso da cessação tabágica. É necessário que a equipa de saúde ajude na definição do plano de cessação em cada caso, dê conselhos práticos e informe e recomende o uso dos fármacos recomendados, ajustados às necessidades específicas de cada caso”. Um papel que cabe também ao internista, não só nas consultas, mas também “na organização dos serviços” e “na participação ativa em ações de formação e informação sobre consequências do tabagismo e sobretudo sobre o que fazer para deixar de fumar”.

Fumar é a primeira causa evitável de doença, incapacidade e morte prematura nos países desenvolvidos, reforça a OMS, que acrescenta que a pandemia do tabagismo foi responsável por 100 milhões de mortes no século XX e, se não for travada, poderá vir a matar outros mil milhões neste século. Por cá, os dados da Direção-Geral da Saúde revelam que uma em cada cinco mortes observadas em pessoas, de ambos os sexos, entre os 45 e os 64 anos, são atribuíveis ao consumo de tabaco. Segundo o Inquérito Nacional de Saúde 2014, existem em Portugal cerca de 1,78 milhões de fumadores com 15. Quanto aos ex-fumadores, são 21,7% dos residentes com a mesma idade. No dia em que se celebra todos aqueles que conseguiram deixar de fumar, a mensagem do especialista da SPMI é simples: sabendo-se o que se sabe sobre as consequências do tabaco e sobre a existência de possibilidade de ajuda para deixar de fumar, continuar a fumar ou voltar a fumar não abona a favor da inteligência”.

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