Disfunção neurológica afeta 600 milhões no mundo

A Dislex, Associação Portuguesa de Dislexia, vai lançar uma campanha de sensibilização com o objetivo de derrubar ideias erradas e preconcebidas que existem em torno desta disfunção neurológica. A iniciativa surge no âmbito do Dia Mundial da Dislexia, assinalado a 10 de outubro.

A dislexia afeta 600 milhões em todo o mundo, sendo mais comum do que se julga. Sob o lema “Disléxicos como Nós”, a campanha pública reúne caras mundialmente conhecidas que se destacaram na comunidade e que evidenciam o lado positivo da dislexia, nomeadamente Einstein, Picasso, Da Vinci, Agatha Christie, Van Gogh, Churchill e Spielberg. Engloba também três vídeos que refletem os vários cenários deste problema em contexto real e cartazes de sensibilização que serão divulgados nos órgãos de comunicação social e nas redes sociais. Também o site da Dislex será totalmente remodelado com informação relevante e de apoio a todos os que quiserem saber mais sobre a dislexia.

A dislexia impacta particularmente as crianças, que são alvo de rótulos ao longo do seu percurso escolar, sendo consideradas menos inteligentes que os colegas. Esta perceção não corresponde à verdade, uma vez que grande parte destes jovens apresentam uma inteligência normal ou acima da média” explica Helena Serra, presidente da Associação.

São estes mitos que a Dislex pretende alterar na sociedade “através de uma campanha que visa sensibilizar a população, educadores e poder político para as características da dislexia e para a necessidade de criar métodos de ensino que ajudem estas crianças a contornar a disfunção. Falamos de uma condição neurológica que afeta uma em cada dez pessoas a nível mundial, atingindo 48% dos alunos com necessidades educativas especiais.” conclui Helena Serra.

 

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One thought on “Disfunção neurológica afeta 600 milhões no mundo

  • 31 Outubro, 2017 at 16:30
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    Dislexia é uma disfunção neurológica ? Referindo a vertente científica , e com todo o respeito, penso que, estarão a seguir uma linha de pensamento, a sua forma de interpretar a realidade, mas que penso estar completamente errada. Desconstruindo esta afirmação , dislexia aqui é vista algo negativo e como tal deve existir um modelo padrão de cérebro e de funcionamento cerebral. Partindo deste pressuposto, deparamo-nos com uma opinião puramente política ou social, excluindo qualquer facto científico. Todos sabemos que não existe um padrão uno de funcionamento cerebral, tal como não existem pessoas iguais, tal como nada é exactamente igual na bela natureza onde vivemos.

    Considerar que existe uma padrão correto ou normal de cérebro não é um conceito científico mas sim pessoal: é uma questão de opinião. A realidade é que existe neurodiversidade na espécie humana, e tal como a biodiversidade é essencial para as espécies também a neurodiversidade o é. O facto de que os disléxicos não têm uma forma correcta de funcionamento traduz-se numa opinião pessoal, política, social, tudo o que lhe queiram chamar, mas nunca científica. A dislexia é natural em pelo menos 10% da população mundial, logo o que aqui se diz, é que a natureza não sabe o que fez ao criar seres “imperfeitos” e consequentemente desajustados. Estaremos aqui a falar de uma questão de perspectiva?

    Cabe a nós não esquecer que o disléxico não tem problemas alguns, a não ser aqueles que são construídos pela sociedade. Como podemos falar de um “funcionamento cerebral errado”, quando nos debruçamos sobre uma diferença? Talvez porque a sociedade o considera assim, mas como podemos afirmar que “o bom desenvolvimento do nosso cérebro tem de acontecer de uma forma perfeitamente sincronizada e precisa” conhecendo a teoria da evolução, sabendo que a diferença genética é a essência para a sobrevivência da espécie.

    Uma afirmação baseada em conceitos mecanicistas sobre o cérebro está bem longe da realidade: “o axônio de cada um dos neurónios tem de se estender do sítio certo, ao ritmo certo e para o sítio certo. Se crescerem mais ou menos ou para um sítio diferente é potencialmente mau.”

    Seguindo esta ideologia, aproveito para questionar… Como é possível utilizarmos equipamentos avançados pensados por Steve Jobs, estudarmos o impressionismo de Van Gogh, entrar em mundos mágicos de Walt Disney, premiarmos filmes de Quentin Tarantino, falarmos em teoria da relatividade de Einstein, se todos estes indivíduos tinham “axônios fora do lugar”? Como é possível seguirmos nós as pegadas de personalidades extremamente criativas e libertas, se não estavam elas de acordo com o padrão actual?

    .Com esta questão deixo então o desafio de analisar aquilo que é o que chamamos de disléxia analisando algumas das características de um ser disléxico. É certo que existem particularidades únicas num disléxica que se traduzem numa diferente compreensão da realidade. O disléxico é fortemente visual, e apresenta um pensamento multidimensional, é intuitivos e altamente criativos. O processamento disléxico tem várias vantagens ou forças, um aumento em pensamento espacial a três dimensões, capacidade superiores em percepção visual, capacidade de recombinar e criar informação, podendo serem estas as bases da criatividade e da inovação. O tempo é percepcionado como uma linha contínua, a vida e a memória são vistas como um filme completo, sem intervalos.

    Um facto bastante desconhecido é o facto de os disléxicos terem uma melhor visão periférica: ao mesmo tempo que observam um objeto eles mantêm uma visão periférica de melhor qualidade que uma pessoa normal, uma visão mais alargada em termos periféricos, talvez uma sensibilidade visual periférica ampliada possa explicar alguns dos efeitos da dislexia.

    A sua força motriz é muitas vezes a curiosidade, isto é uma forte pulsão que tem para conhecer a realidade, ter cada vez mais informação, que é codificada por imagens, com as quais vai construindo uma imagem cada vez mais abrangente da própria realidade como se estivesse a montar puzzle gigante do real.

    Os disléxicos demonstram também uma capacidade de imaginação criatividade sem limites, uma capacidade reflexiva muito avançada que lhe permite muitos insights sobre si e os outros, bem como são altamente sensitivos e intuitivos.

    Poderia continuar a descortinar aquilo que está por detrás da dislexia, mas parece-me ter chegado o momento de sugerir que a dislexia seja vista não só como uma dificuldade da aprendizagem na escrita, na leitura e na ortografia, mas sim como algo de diferente, uma maneira de ver o mundo e de ser, que na sua busca de conhecimento da realidade, procura construir uma narrativa coerente da mesma.

    Espero que com esta exposição possa ter proporcionado uma outra visão da dislexia que não seja a de uma doença ou uma deficiência genética, mas sim uma maneira incrível de ser um Ser Humano. david Santos 2017

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