Previsão de forte crescimento na Europa Central e Oriental

A Crédito y Caución prevê um crescimento sólido em 2017 e 2018 na Europa Central e Oriental. Isso indica o mais recente relatório divulgado pela companhia, no qual são analisados oito mercados com uma quota de 3,75% no comércio internacional português de bens e serviços.

O relatório estima que o crescimento da Polónia (0,94% de quota nas exportações portuguesas) se situe acima dos 3% em 2017 e 2018, devido ao crescimento dos investimentos, do consumo privado, do emprego, dos salários e das transferências sociais, num ambiente caraterizado por um forte sentimento empresarial e juros baixos. No entanto, a Polónia é a economia da Europa Central mais exposta aos impactos negativos do Brexit. Uma saída do Reino Unido da União Europeia poderia afetar os fundos estruturais, que desempenham um papel importante no progresso económico da Polónia. Além disso, o Reino Unido é o segundo destino das exportações polacas e as remessas anuais ascendem a 4.000 milhões de euros.

A República Checa (0,46% das exportações portuguesas de bens e serviços) ou a Eslováquia (0,37% das exportações portuguesas) também vão crescer cerca de 3%, beneficiando da robustez do consumo privado, da recuperação dos investimentos e do dinamismo das exportações, impulsionadas pelas perspetivas favoráveis da indústria automóvel. A Roménia (0,56% das exportações portuguesas) mantém uma das perspetivas de crescimento mais sólidas da região, cerca de 4%, embora seja uma economia exposta a vulnerabilidades externas. O défice de conta corrente voltou a aumentar, dado o elevado crescimento da procura interna. Ao mesmo tempo, a dívida externa é relativamente alta, em torno dos 70% do PIB, e a moeda está sujeita a uma relativa volatilidade.

Na Hungria (0,32% das exportações portuguesas), o crescimento anual da economia vai ultrapassar os 3,5% graças à recuperação dos investimentos. A principal debilidade da Hungria continua a ser o elevado nível da dívida externa, cerca de 100% do PIB. Uma grande parte é denominada em moeda estrangeira, o que agrava o problema. Na Bulgária (0,11% das exportações portuguesas), o relatório prevê que o PIB cresça acima dos 3% em 2017 e 2018.

A Rússia e a Turquia são os mercados mais complicados para o relatório. Após dois anos de contração, prevê-se que o PIB russo cresça cerca de 1,5% em 2017 e 2018 devido, principalmente, ao aumento dos preços do petróleo. Apesar da recuperação económica, as perspetivas a longo prazo para a Rússia (0,33% das exportações portuguesas) continuam a ser moderadas. O clima de negócios está repleto de incertezas quanto aos direitos de propriedade, à fragilidade das infraestruturas de transporte, à falta de competitividade nos mercados de bens e serviços e às sanções internacionais impostas pela União Europeia e pelos Estados Unidos que procuram evitar a transferência de tecnologia e financiamento às empresas russas nos setores energético e militar.

Na Turquia (0,66% das exportações portuguesas de bens e serviços) espera-se que o ritmo de expansão económica nos próximos anos se mantenha abaixo da taxa de crescimento média anterior a 2015. A taxa de desemprego já é alta e a inflação continua persistentemente elevada, afetando o crescimento do consumo privado. A política governamental dirigida a estimular o crescimento do crédito, que ultrapassou a barreira dos 15% previamente considerada pelo Banco Central como saudável, é preocupante. A médio prazo, o crescimento excessivo dos empréstimos poderia aumentar os empréstimos em atraso. As empresas turcas, particularmente nos setores da energia, materiais de construção, aço, transporte aéreo e produtos químicos, endividaram-se excessivamente em moeda estrangeira junto dos bancos locais. Dado que os ativos cambiais apenas cobrem cerca de 40% dos passivos, as pequenas empresas com receitas em moeda local correm um importante risco não coberto.

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