«É preciso mais mulheres na política e mais política para a igualdade»

A eurodeputada Maria Manuel Leitão Marques defendeu, hoje, que «é preciso mais mulheres na política e mais política para promover a igualdade».

A também ex-ministra foi uma das oradoras convidadas para o painel sobre Política e Cidadania, no âmbito das “Jornadas de Março”, promovidas pelas Mulheres Socialistas da Madeira como forma de assinalar o Dia Internacional das Mulheres.

Maria Manuel Leitão Marques deu conta das desigualdades entre homens e mulheres e apontou a falta de paridade, considerando que é preciso leis que contribuam para um equilíbrio em cargos de direção, quer nas grandes empresas cotadas em bolsa, quer nos lugares políticos. Para além disso, referiu que ainda existem muitas disparidades salariais, lembrando que as mulheres ganham em média menos 14% do que os homens em Portugal e menos 16% na União Europeia. «Precisamos de mais políticas que evitem discriminações salariais», vincou.

Por outro lado, a eurodeputada adiantou que as raparigas são 27 vezes mais vítimas de violência online nas redes sociais do que os rapazes. «É uma nova forma de violência que acresce às antigas que, infelizmente, ainda não conseguimos eliminar», sustentou, acrescentando que as raparigas também escolhem menos profissões tecnológicas. «Estas serão profissões com muitos empregos no futuro e mais bem pagas, e, se não pensarmos nisso agora, teremos mais uma desigualdade no futuro», advertiu.

Por isso, Maria Manuel Leitão Marques frisou que é preciso mais política para a igualdade e cidadania. «É um tema que deve preocupar mulheres e homens, porque uma sociedade mais equilibrada e mais justa é uma sociedade onde seremos mais felizes», referiu.

Outra oradora convidada foi Madalena Nunes, vereadora da Câmara Municipal do Funchal, que mostrou o trabalho que tem sido feito pela autarquia desde 2013 no sentido de ajudar a combater o populismo, fazendo política de outra forma.

A preletora entende o exercício da política «como uma forma de potenciar a participação das pessoas na vida pública ou nos assuntos que consideram ser do seu interesse, promovendo uma cidadania consciente e instrumentos de participação funcionais, sérios e com resultados visíveis».

Lembrando que a animosidade contra a classe política tem subido de tom, dando azo aos populismos que grassam em tantos países e que crescem a olhos vistos, Madalena Nunes mostrou o modo como a autarquia funchalense tem feito política de uma outra forma, promovendo um trabalho diferente, com perspetivas de futuro, de empoderamento e capacitação das pessoas. «O nosso compromisso é gerir a cidade com as pessoas e não para as pessoas. O que tentámos sempre fazer desde o início foi ouvir as pessoas e construir um projeto em que elas se sentissem parte dele», frisou. Como exemplos, a vereadora indicou a aposta na educação e a criação do Conselho Municipal da Igualdade e do Fundo de Investimento Social, entre outras medidas.

Por seu turno, Catarina Silva, da associação “Monte de Amigos”, deu conta da missão desta instituição no combate à pobreza e exclusão social, através da sua loja solidária e da entrega de cabazes a pessoas desfavorecidas. Esta oradora adiantou que, todas as semanas, novas famílias pedem apoio à associação e que há muitas famílias regressadas da Venezuela que o fazem, após se terem dirigido às entidades criadas para o efeito e não tendo conseguido ajuda.

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