Mais despedimentos na construção civil

Entre Janeiro e Setembro de 2011, mais de 1700 trabalhadores da construção civil foram para o desemprego. E os números não vão ficar por aqui, garante Diamantino Alturas, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, acrescentando que a situação sócio-económica vivida por estas pessoas, normalmente com um forte poder de compra, tem reflexos em todos os sectores de actividade.

Se alguém tinha dúvidas que a situação vivida no território continental ia chegar à Madeira, ainda por cima com a piscina que nós temos. Enganou-se redondamente. E é evidente que vai haver despedimentos. Todas as indicações vão nesse sentido, até porque não vai haver obras para tanta gente”.

E o problema não tem uma solução à vista, pelo menos não a curto ou médio prazo. Isto porque, mesmo que o Governo Regional pague às empresas e aos demais fornecedores, verifica-se uma quebra nas obras públicas e nas obras privadas, estas últimas como resultado das restrições ao financiamento da banca.

Diamantino Alturas esclarece que se o pagamento das dívidas vai solucionar um problema de tesouraria, para a falta de obras não há grande coisa a fazer. “As empresas vão continuar com trabalhadores a mais para o volume de trabalho que têm”.

Face a esta situação, em vez de obras que recorrem maioritariamente a maquinaria, como será o projecto para o cais do Funchal, as entidades responsáveis deviam apostar em projectos como o Hotel Savoy, o Madeira Palácio, o novo hospital e até, mais para o privado, na construção de empreendimentos habitacionais.

Estes sim iam voltar a mexer com o sector da construção civil na Madeira. Iam chegar para as grandes empresas e para todas aquelas empresas sub-contratadas que beneficiam o trabalho de fartura”, aponta o sindicalista. Caso contrário, pela escassez de trabalho, tudo fica centrado nas grandes empresas da construção.

Não esquecer que a campanha eleitoral ficou marcada por manifestações, algumas junto a inaugurações do Governo Regional, porque as “tentativas para silenciar” os trabalhadores e os sindicatos não deram resultado. No caso concreto da construtora Tâmega continuam por pagar o subsídio de férias e o salário de Setembro.

O presidente do Sindicato da Construção Civil afirma que na altura não cederam, nem agora vão ceder, a quaisquer pressões. As pessoas quiseram, legitimamente, defender os seus direitos. E futuramente a luta vai continuar, sendo que a situação não vai melhorar. Pelo contrário, as dificuldades vão se agudizar.

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