Festival de Órgão com balanço positivo

Chegou ao fim na passada segunda-feira o 2º festival de Órgão da MADEIRA, iniciativa da Secretaria Regional de Educação e Cultura, através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais.


Dar destaque ao magnífico conjunto de órgãos restaurados da Ilha da Madeira, através de concertos em que os instrumentos se apresentam como os grandes protagonistas do evento, promover também o património edificado de carácter religioso onde os órgãos se encontram e onde os concertos tiveram lugar e contribuir para o incremento da oferta cultural de qualidade na Região, são os factores que estão na base da realização do festival de Órgão da MADEIRA.
Um programa diversificado, em termos artístico-musicais, devidamente adequado às especificidades de cada instrumento, um conjunto de organistas de nomeada, nacionais e estrangeiros, incluindo músicos madeirenses, salas cheias, nalguns casos repletas até ao seu limite máximo, nos quais se encontrava uma forte percentagem de público jovem, constituíram as marcas fortes do 2º festival de Órgão da MADEIRA.
A participação massiva do público é o sinal de que o festival de Órgão da MADEIRA, apesar de estar apenas na 2ª edição, é já um evento a caminho da sua consolidação ao nível do panorama sociocultural madeirense, constituindo assim um verdadeiro atractivo cultural para a população local bem como para os turistas que durante este período nos visitam.
11 dias de programação, 10 concertos e uma conferência-recital, 8 igrejas distribuídas por 3 concelhos (Funchal, Machico e Ponta do Sol) e outros tantos órgãos, 8 organistas, a que se juntam cerca de 50 músicos entre os artistas (coro, orquestra, quarteto de cordas, etc.) que os acompanharam na interpretação de peças de meia centena de músicos de várias épocas, são alguns dos números com que se escreve o balanço do 2º festival de Órgão da MADEIRA.
Neste balanço merece, evidentemente, grande destaque os mais de 3 mil espectadores que ao longo dos 11 dias do Festival assistiram aos diversos concertos, realçando-se também a percentagem significativa dos que marcaram presença assídua na maioria dos concertos, confirmando assim a ideia de que o festival de Órgão da MADEIRA fidelizou já um grande número de pessoas.
A uruguaia Cristina García Banegas, o alemão Andreas Liebig, o basco Joxe Benantzi Bilbao e os portugueses Margarida Oliveira, Rui Paiva, João Vaz, António Duarte e Nelson Quintal, este último um jovem músico madeirense, foram os organistas, cuja excelência na execução das peças que tocaram contribuiu sobremaneira para o retumbante êxito do Festival, a que se juntam o Coro Juvenil do Gabinete Coordenador de Educação Artística, sob direcção de Zélia Ferreira Gomes, o Quarteto Arabesco (Denys Stetsenko e Raquel Cravino, violino, Lúcio Studer, violeta, e Ana Raquel Pinheiro, violoncelo), Pedro Couto Soares, flautas de bisel, Sofia Diniz, viola da gamba, e a Orquestra Clássica da Madeira, dirigida pelo maestro Miguel Graça Moura, que acompanharam os organistas em alguns dos concertos, num programa diversificado em termos musicais, cobrindo várias épocas e estilos e compositores marcantes da música para órgão.
A Igreja de São João Evangelista (Igreja do Colégio), a Sé Catedral, o Recolhimento do Bom Jesus, a Igreja e Convento de Santa Clara e a Igreja de São Martinho, todas no Funchal, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Machico, a Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, no Porto da Cruz, e a Igreja de Nossa Senhora da Luz, na Ponta do Sol, foram os cenários de rara beleza onde decorreram os concertos, numa simbiose perfeita entre o espaço arquitectónico monumental e os belíssimos órgãos históricos que têm vindo a ser restaurados desde a última década do século XX.
De 14 a 24 de Outubro a Madeira apresentou, através da segunda edição do festival de Órgão da MADEIRA, um programa cultural de grande nível que, para além de enriquecer e qualificar a oferta cultural madeirense, contribui para a promoção da própria Região, em termos de turismo cultural.
O festival de Órgão da MADEIR está integrado na marca “Festivais Culturais da Madeira”, que inclui também o Festival de Música da Madeira, o Encontro de Bandas e o Festival Raízes do Atlântico, marca através da qual, de 2010 a 2013, a Secretaria Regional de Educação e Cultura, através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais.
Para além da produção da Secretaria Regional de Educação e Cultura, através da Direcção Regional dos Assuntos Culturais e da organização da Edicarte, o 2o festival de Órgão da MADEIRA contou com o apoio da Diocese do Funchal, do Município do Funchal, do CS Madeira Atlantic Resort & Sea Spa, a FNAC e a VSA Madeira, tendo como Media Partners a RTP Madeira, a Antena 1, a Antena 2, o
Diário de Notícias, o Jornal da Madeira, o Diário Cidade e a Tribuna da Madeira.
A satisfação de todos os músicos participantes no evento foi notória, patente nas suas declarações e elogios ao Festival e, sobretudo aos instrumentos bem como ao público, que se mostrou sempre bastante caloroso, atento e muito interessado nos concertos.

“Expectativas ultrapassadas…”
Também ao nível da organização e direcção artística do 2º festival de Órgão da MADEIRA a satisfação é também plena, com o Director Regional dos Assuntos Culturais, João Henrique Silva, a salientar desde logo o facto de que “este ano ultrapassámos as expectativas e, entre vários aspectos, ultrapassámos o que já foi conseguido com a primeira edição”.
“Esta segunda edição ficou marcada por mais eficácia ao nível da organização, as coisas correram quase com mais naturalidade, desde a parte técnica do arranjo dos órgãos até toda a estratégia de divulgação, no fundo de toda a logística operacional que possibilitou realizar o Festival”, referiu ainda o responsável da DRAC, acrescentando que “o último concerto foi, de facto, a apoteose final e mostrou que este Festival, mesmo estando no início, é um projecto que já está consolidado em termos de púbico e da apetência de um público, que é relativamente vasto para este tipo de música e para este tipo de festival”.
O João Henrique Silva realçou ainda que “este é um Festival que utiliza a música de órgão, mas utiliza também, e dá a ver, o património, seja os diferentes órgãos restaurados e o tipo de música que eles possibilitam, seja o património edificado de carácter religioso onde se realiza”.
Fazendo o balanço ao 2º festival de Órgão da MADEIRA este responsável referiu que “tem um saldo positivo em termos de qualidade artística e em termos de público e, neste sentido, é um projecto que queremos continuar”, adiantando, em relação ao futuro que “vamos iniciar o concurso para os próximos dois anos do Festival, até 2014, um concurso para a organização do festival nos próximos dois anos, uma vez que o programa artístico já está elaborado e agora é só o concurso para a logística operacional do mesmo”.
Referindo ainda que “é possível realizar este festival sem sobressaltos de maior, exactamente porque está enquadrado num projecto mais amplo, que é os Festivais Culturais da Madeira, que é uma marca e um “projecto-chapéu” que integra quatro realizações e que está aprovado pelos fundos comunitários”, o João Henrique Silva salientou que, por isso, “este facto dá uma consistência e uma garantia em termos de gestão à realização do festival e permite-nos dizer que já estamos avançando para os próximos dois anos”.
Em relação ao projecto de restauro dos órgãos históricos da Madeira que tem vindo a ser realizado ao longo dos últimos anos, o Director Regional dos Assuntos Culturais afirmou que “neste momento está a ser restaurado, estando já em vias de conclusão, o órgão da Igreja de Santa Luzia, que deverá ser posto já no programa do Festival de 2014”.
Em relação a outros órgãos adiantou também que “está em curso, embora possivelmente para ser integrado no Festival um ano depois, o órgão histórico da Igreja do Colégio, um órgão histórico que é da organaria portuguesa, de Machado Cerveira, e que é muito importante que seja restaurado, e que está neste momento no ateliê do mestre Dinarte Machado”, destacando que “é muito importante
que este órgão seja restaurado porque, sendo colocado na igreja, vai possibilitar elaborar programas que permitem utilizar os dois órgãos com registos e repertórios multimodais, digamos assim, e que permitem jogar no mesmos concertos com registos bastante diferentes”.
A concluir, o Director Regional dos Assuntos Culturais afirmou que “neste momento são esses dois órgãos que estão em restauro e é claro que este projecto de restauro dos órgãos históricos da Madeira é para continuar, embora havendo mais órgãos, obrigar-nos-á a fazer escolhas em termos do Festival, ou seja em determinados anos temos que deixar para trás um ou outro instrumento ou então conceber iniciativas diferentes que, sem ser o festival de Órgão da MADEIRA, propiciem a utilização dos órgãos num outro modelo de evento e ao longo do ano”.

“Adesão fantástica do público dá-nos confiança para o futuro do Festival…”
Por sua vez, para o Director Artístico do 2º festival de Órgão da MADEIRA, professor João Vaz, “este festival foi muito bem conseguido e foi fantástico ver que atraiu mais público em relação ao ano anterior”, salientando que “sendo este um festival emergente, é agradável verificar esta fantástica adesão, em que tivemos sempre as igrejas cheias para praticamente todos os concertos, com uma ou outra excepção fora dos grandes centros mas que é normal”.
Referindo-se à entusiástica adesão do público aos concertos, João Vaz referiu que “os próprios músicos que integraram o programa deste Festival sentiram isso, por exemplo para um organista alemão tocar numa igreja cheia é uma cosia rara e isso aqui aconteceu em todos os concertos, o que é muito bom também para os músicos e prestigia o Festival”. “O balanço é francamente positivo e o sucesso do concerto final e do Festival em geral dá-nos a garantias de que este festival tem um óptimo futuro”, concluiu o Director Artístico do 2º festival de Órgão da MADEIRA.

“Um Festival com níveis bastante altos comparativamente a festivais nacionais e europeus…”
Figura importante no sucesso do festival de Órgão da MADEIRA, Dinarte Machado, o mestre organeiro responsável pelo restauro dos órgãos históricos da Madeira e da construção do órgão novo da Igreja do Colégio, fez “uma apreciação absolutamente positiva à esta segunda edição do Festival”.
“No meu papel de organeiro, de quem preparou os órgãos para os concertos e de quem tem vindo a restaurar os órgãos, estou muito contente com o nível que se atingiu neste Festival”, afirmou Dinarte Machado, que acrescentou, em relação ao concerto de encerramento, que “este concerto no órgão novo que criei para a Igreja do Colégio foi uma simbiose muito interessante e fez com que o festival terminasse em beleza e, uma vez mais, com a presença de muito público”.
Para este conceituado mestre organeiro “desde o primeiro concerto que houve uma preocupação, não muito excessiva, de haver uma mistura de diferentes tipos de instrumentos e programas adequados aos mesmos para agradar a públicos diferentes e isso foi conseguido, resultando também numa adesão massiva do público em geral”.
“Parece-me que o nível deste festival, e é apenas a segunda edição, apontou para níveis bastante altos comparativamente a festivais que eu conheço pela Europa fora e nomeadamente os festivais que têm aparecido pelo continente e por isso estamos todos de parabéns e a Madeira em primeiro lugar”, salientou Dinarte Machado.
Em relação ao trabalho que tem vindo a desenvolver no âmbito do restauro dos órgãos históricos da Madeira, o mestre organeiro adiantou que “para o ano que vem deverá ser inaugurado o restauro do órgão de Santa Luzia, haverá um concerto destacado para esse órgão sem ser no Festival, e também haverá dois concertos para o ano que vem, em colaboração com a DRAC, espero eu, porque para o ano faço 25 anos de carreira e quero dedicá-los pessoalmente àquilo que fiz durante estes 25 anos quer na Madeira, nos Açores e no continente, e também no estrangeiro onde fiz alguns trabalhos, mas em especial à Madeira, Açores e Continente por estes 25 anos de dedicação ao restauro de órgãos”.

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