Ir ao cinema é um luxo

Ir ao cinema, actualmente, é um luxo. Esta é, pelo menos, a convicção de alguns madeirenses com quem o CidadeNet esteve à conversa.

Já lá vão os tempos em que uma ida ao cinema era um passatempo económico. Esta é a convicção de Raquel Aguiar que em declarações ao CidadeNet afirmou que só vai ao cinema quando o filme é mesmo muito importante. Foi o caso de “As Aventuras de Tintin: O segredo do Licorne- VP 3D”, que a estudante universitária escolheu para ver neste fim-de-semana.

“Já não venho ao cinema há mais de seis meses e vim hoje porque queria muito ver este filme em 3D, caso contrário, não saía da casa, porque actualmente vir ao cinema é um luxo, são oito euros para o bilhete, mais uns trocos para as pipocas e uma água são logo 20 euros. É um passatempo caro em tempos de crise”, sublinhou. A estudante lembrou que nos tempos de liceu chegou a ir ao cinema e pagar apenas 500 escudos.

A mesma opinião é partilhada por Pedro Freitas, um adolescente de 14 anos, que também só veio ver as “As Aventuras de Tintin: O segredo do Licorne- VP 3D”, pela “espetacularidade do filme”. “Quando era mais pequeno vinha mais vezes ao cinema com os meus pais mas agora tenho vindo muito menos porque mesmo com o desconto de estudante o bilhete é caro e se venho ao cinema duas vezes por mês lá se vai mesada”, revela.

Talvez estes testemunhos expliquem os dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística(INE), esta semana, que dão conta de uma quebra de 23,8% do número de espectadores e de 18,1% nas receitas nos cinemas. De acordo com esses dados a Madeira e os Açores estão no topo da lista nacional. Os cinemas dos arquipélagos registaram, segundo dados do INE, uma quebra de 23,8% no número de espectadores no segundo trimestre de 2011 comparativamente ao período homólogo do ano passado.

Para além do número de espectadores, que atingiu os 124.354, os dados do INE revelam também uma acentuada descida das receitas neste período, 18,1% face a igual trimestre de 2010.

O número de sessões realizadas também mostra uma descida acentuada. No segundo trimestre de 2011 realizaram-se nas duas regiões autónomas menos 0,1% das sessões que igual período do ano passado. No segundo trimestre de 2011 foram realizadas 6300 exibições nos cinemas das duas ilhas.

Mas a quebra mais acentuada verificou-se no número de espectadores que, de acordo com os dados apresentados pelo INE, atingiu os 5,4%.

A tendência de descida não se verificou apenas nos Açores e na Madeira. Também a nível nacional registaram-se quedas. Os dados divulgados revelam ainda uma quebra no número de exibições de 0,1%.

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