Governo tem de travar “ordenados de miséria”

Insegurança dos enfermeiros não se coaduna com a prestação dos cuidados de saúde, diz a delegação regional da Ordem dos Enfermeiros.

Enfermeiros contratados a 3.96 euros por hora. O caso verifica-se no sistema de saúde nacional, mas o presidente da delegação regional da Ordem dos Enfermeiros, Ricardo Silva, teme que os “ordenados de miséria” possam chegar à Região Autónoma da Madeira. Onde, para já, o valor de referência é de 1.020 euros por mês.

Para além desta preocupação com o futuro dos profissionais, sobretudo daqueles que estão em regime de prestação de serviços (cerca de 50), o enfermeiro salienta que os cortes financeiros impostos nos últimos meses e a falta de materiais têm graves impactos na qualidade dos serviços prestados aos utentes. “Pensamos que com a chegada de algumas verbas a situação seria minimizada, mas não há indícios de que esteja regularizada”.

Ricardo Silva acrescenta ainda que à Ordem dos Enfermeiros chegam cada vez mais notas de insatisfação. Há mesmo, por parte de alguns profissionais, um sentimento de discriminação e o medo de represálias. “Temos visto a não contratação em regime de exceção de enfermeiros e, por outro lado, a contratação de médicos internos nesse regime de exceção. O que comprova um tratamento diferenciado”.

A Região Autónoma da Madeira tem, no momento, cerca de 250 profissionais de enfermagem no desemprego. Isto sem contar com aqueles que, daqui a dias, saem das escolas de enfermagem ou com aqueles que tencionam emigrar. Pessoas que facilmente seriam integradas no mercado não fosse a crise.

A Ordem dos Enfermeiros alerta, por outro lado, para a utilização abusiva dos estágios profissionais. “Há pessoas que são contratadas pelo período de um ano, ao abrigo do estágio profissional, mas quando chega a renovação do contrato sucedem-se outros estagiários. É mais um subterfúgio para a precariedade”.

Ricardo Silva diz que temos de estar atentos, responsáveis políticos e sociedade civil, para estas irregularidades. Até porque os enfermeiros carecem de condições de trabalho para poderem assegurar serviços de qualidade. “Estas políticas de contratação, por parte de empresas que querem maximizar os lucros, colocam em causa todo o investimento do Estado e das famílias na educação”.

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