Ajuda precisa-se

A Região Autónoma da Madeira tem-se deparado nos últimos anos com fenómenos de origem natural, impossíveis de controlar na sua dimensão e apenas evitáveis pela sua prevenção. Basta lembrar o terrível dia 20 de Fevereiro de 2010 ou os incêndios que devastaram a serra do Funchal no mesmo ano, ou os ainda fresquíssimos de Julho último, tudo à custa do nosso cada vez mais frágil ecossistema.

Se por um lado a destruição semeia o caos, por outro lado registam-se crescentes movimentos de força humana, de interajuda, de proximidade nestes momentos de maior calamidade. É o mais puro voluntariado, não aquele ao qual se candidata, mas nascido da necessidade humana de ajudar aqueles que mais foram afectados.

Se felizmente ainda se observam estes movimentos, infelizmente não o vemos todos os dias. Se por uma casa a arder, correm almas de balde na mão sem ninguém pedir nada, e as outras calamidades que surgem diariamente nas famílias madeirenses: financeira, enfermidades, desemprego, emocional, valores? Quem estende a mão a estas pessoas? E como? É certo que não é a mesma coisa que acudir alguém em estado de emergência, mas haverá espaço para o voluntariado?

Como tudo na vida, há uma definição legal. Segundo o artigo nº 2.º da Lei n.º 71/98, de 3 de Novembro, é “o conjunto de acções de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de projectos, programas e outras formas de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da comunidade, desenvolvidos sem fins lucrativos por entidades públicas ou privadas”. Logicamente não estão abrangidas por este escopo legal as actuações que, embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e esporádico ou sejam determinadas por razões familiares, de amizade e de boa vizinhança. Aqui procuramos uma forma organizada de voluntariado.

Ou seja, procura-se alguém que possa estar ao serviço das pessoas, das famílias e das comunidades, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar das populações, através de num conjunto de acções de interesse social e comunitário, realizadas de forma desinteressada, expressando o trabalho voluntário. De forma organizada pode se desenvolver através de projectos e programas de entidades públicas ou privadas com condições para integrar voluntários, envolvendo as entidades promotoras.

E é precisamente aqui que os jovens podem assumir um papel predominante na vida da sua comunidade. Porque através do voluntariado o jovem, ao mesmo tempo que adquire novas competências pessoais e sociais e toma consciência dos verdadeiros problemas que afligem ao seu redor, este jovem devolve estes ganhos em serviço, em trabalho, em apoio a quem o acolheu, à sua comunidade.

Mas esta é igualmente uma realidade que necessita de consciencialização política. O voluntariado jovem deverá ser valorizado e contabilizado – por exemplo através de créditos ou vantagens aos jovens estudantes – podendo até adquirir um estatuto semelhante ao do trabalhador-estudante. Nestes dias em que “crise” é a palavra da moda, o voluntariado e o empreendorismo social são, sem dúvida, armas de grande peso para o combate a este flagelo.

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