Opep não consegue lidar com excesso de oferta

O acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para reduzir sua produção, revelado na semana passada, pode ter vindo tarde demais. A organização está estudando a possibilidade de cortar sua produção em até 700 mil barris por dia nos próximos meses, mas muitos analistas dizem que a redução proposta não é suficientemente grande e não ocorrerá em tempo hábil para lidar com o problema do excesso de oferta.

“Os ágeis produtores dos EUA tiraram parte do poder da Opep”, comentou Daniel Yergin, vice-presidente do IHS Markit e observador de longa data dos mercados de petróleo. “Hoje, há muito mais petróleo que não é da Opep.”

Na última quarta-feira (28), a Opep chegou a um consenso para reduzir sua produção a um volume entre 32,5 milhões e 33 milhões de barris por dia, de 33,2 milhões de barris diários em Agosto.”

A iniciativa da Opep apanhou os mercados de surpresa, levando os preços do petróleo negociado em Nova Iorque a subirem mais de 8% nas três últimas sessões da semana passada. No entanto, continua a ser incerto quais os países da Opep a reduzir a produção e que critérios serão usados para se implementar o plano.

Mesmo que a Opep ratifique o acordo, especialistas de energia diziam que o corte na produção terá efeito limitado na correcção dos desequilíbrios entre oferta e a procura. O excesso de petróleo reflecte em parte a mudança nos papéis de produtores dos EUA e da Opep, uma vez que as empresas norte-americanas ampliaram sua participação de mercado e conquistaram maior capacidade de influenciar os preços globais.

“A Opep não controla a produção marginal e, consequentemente, não tem influência duradoura sobre o preços”, avaliou o Commerzbank em nota recente.

Países que não fazem parte da Opep respondem actualmente por 58% da produção mundial de petróleo, que no segundo trimestre alcançou 95,9 milhões de barris por dia, ficando acima da demanda estimada de 95,6 milhões de barris diários, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE).

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