Lúcia levou mulheres à rua em Buenos Aires

Foi por Lucía Pérez que milhares saíram ontem à rua, em Buenos Aires, na Argentina, para protestar contra as agressões sexuais sobre mulheres. O número de mulheres mortas não pára de subir e, conhecido o caso de Lucía, as argentinas decidiram mobilizar-se em força e decretaram uma greve simbólica. Na rua exibiram cartazes onde se lia “Machismo Mata” e “Vim porque estão a matar mulheres que podiam ser minhas irmãs, minhas amigas”.

Lucía tinha 16 anos. Foi raptada, drogada, violada, penetrada com objectos e torturada no início do mês de Outubro na cidade costeira de Mar del Plata. Segundo a procuradora María Isabel Sánchez, a violência do ataque foi tal que a jovem sofreu uma paragem cardíaca. “Foi um ato de agressão sexual inumano”, sublinhou a responsável.

Depois da agressão, os violadores de Lucía lavaram-na, para limpar as provas do crime, e deixaram-na no hospital, onde a jovem viria a morrer pouco depois.

A cada 30 horas, de acordo com uma organização não-governamental que ajuda vítimas de violência de género, é morta uma mulher na Argentina. Ontem foram várias as mulheres que, por todo o país, se uniram à marcha da capital Buenos Aires. Também houve marchas semelhantes no México, El Salvador, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai.

“É uma marcha contra o feminicídio”, disse Elena Highton de Nolasco, juíza do Supremo Tribunal, na véspera da manifestação. “Os casos de feminicídio estão a crescer, a tornar-se mais violentos, mais perversos. Recebemos hoje mesmo a notícia de que houve 19 feminicídios nos últimos 18 dias”, sublinhou.

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