CIP pede afastamento de Dijsselbloem da presidência do Eurogrupo

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, classificou de “ofensivas” as declarações de Jeroen Dijsselbloem e pede o seu afastamento da presidência do Eurogrupo.

“As declarações do presidente do Eurogrupo […] demonstram a total falta de sensibilidade e a ausência de preparação de alguns dirigentes que ocupam cargos na tecnocracia europeia”, sublinhou hoje o líder do patronato português em comunicado enviado à Lusa.

Para a associação empresarial, este episódio “evidencia a urgência da mudança de atitude dos dirigentes europeus e das políticas financeiras e económicas da União Europeia”.

A CIP pede também que as políticas europeias “caminhem no sentido de consolidar um espaço político e económico de crescimento e de coesão”. Isso, exige, na opinião de António Saraiva, “a escolha de políticos equilibrados, com uma visão de mundo e actual, fora dos preconceitos e discriminação, pensamento contrário aos princípios fundamentais do projecto europeu e que tanto prejudicam a União”.

Jeroen Dijsselbloem, assinale-se, rejeitou ontem pedir desculpa por ter acusado os países do sul de gastarem o dinheiro “em copos e mulheres”. O presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças da Holanda manifestou-se surpreendido por as suas palavras, proferidas numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, terem tido tanta repercussão nos meios de comunicação social.

“Durante a crise do euro, os países do norte mostraram solidariedade com os países afectados pela crise. Como social-democrata, atribuo uma importância extraordinária à solidariedade. Mas também deve haver obrigações: não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e depois pedir ajuda”, disse Dijsselbloem na referida entrevista.

As declarações foram consideradas “vergonhosas” e “chocantes” pelos Socialistas Europeus, ao qual Dijsselbloem pertence, considerando que o presidente do Eurogrupo “foi longe demais, ao utilizar argumentos discriminatórios contra os países do sul da Europa”.

O PS, em Portugal, pediu ao Partido Socialista Europeu (PSE) a condenação “imediata” das declarações “ultrajantes” proferidas e a retirada de apoio político a uma recandidatura de Jeroen Dijsselbloem ao cargo de presidente do Eurogrupo.

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