Segurança Social “tem de ser reequacionada”

Os serviços na área de tecnologia são uma aposta segura para as cidades de menor dimensão; a Segurança Nacional está em risco, pois os custos com pensões podem vir a representar 14% do PIB. Duas das conclusões do segundo e último dia da 1ª Convenção Nacional dos Serviços. Uma iniciativa promovida pelo Fórum dos Serviços, em colaboração com a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) e que, hoje, entre outras personalidades, contou com a participação do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.

O ministro começou por sublinhar a importância do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela CCP, enquanto sobre a valorização do território e a competitividade dos nossos tecidos urbanos destacou: “No âmbito do programa Portugal 2020 já foram aprovados 5 mil milhões de euros de investimento para inovação. E, este ano, teremos um forte investimento público na requalificação das malhas urbanas, bem como nos transportes, nomeadamente na ferrovia.”

“As cidades, os serviços e a atratividade de não residentes” foi o mote para o painel que abriu o dia de hoje da 1ª Convenção Nacional dos Serviços. A época do “autarca construtor” está ultrapassada e o desafio agora é ser criativo para captar populações residentes e não residentes.

Entre outras reflexões, João Ferrão, geógrafo e investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade Lisboa, defendeu que “é essencial criar nas cidades portuguesas plataformas de reflexão estratégica que envolvam universidades, empresas e serviços. Transformar as cidades portuguesas em laboratórios de experimentação, nomeadamente as cidades de média dimensão. As nossas cidades médias têm todo o potencial para serem um laboratório a céu aberto.”, disse.

Pelo mesmo diapasão, António Pires Santos, diretor da IBM responsável pelas Smart Cities em Portugal, sublinhou: “Em Portugal não temos nenhuma megacidade, mas temos muitas pequenas e médias cidades e são estas que mais estão a crescer e que mais potencial têm. De acordo com um relatório recente da ONU, 58% da população mundial está nestas cidades com menos de um milhão de habitantes e são estas as que mais crescem, mas também as que mais economia e desenvolvimento atraem. Dentro de cinco anos a cidade irá ajudar-nos a viver nela com instrumentação, inteligência artificial e capacidade de ligação em rede, por via da internet. A cidade conectada o mundo físico une-se ao mundo digital. A tecnologia vai facilitar toda esta forma diferente de tratar a informação e é assim que vamos conseguir ter cidades mais inclusivas.”

Numa mesa redonda moderada pelo jornalista Nicolau Santos, os autarcas Almeida Henriques (presidente do município de Viseu), Paulo Fernandes (presidente do município do Fundão) e Ricardo Costa (vereador do município de Guimarães) apresentaram exemplos concretos de estratégias adotadas no sentido de atraírem pessoas e empresas pela diferenciação.

O futuro da Segurança Social foi o tema do painel que encerrou a 1ª Convenção dos Serviços, com Armindo Silva a sublinhar que “os desafios da segurança que se colocam a Portugal são os mesmos que existem no resto da Europa: o envelhecimento da população e a baixa da natalidade”. Para o economista e investigador, “está em causa a sustentabilidade do financiamento da Segurança Social. Entre 2010 e 2040, os custos com pensões vão aumentar, podendo vir a pesar 14% do PIB.” Ou seja: “Vão ter que existir modificações do sistema de financiamento da Segurança Social. A TSU com uma contribuição baseada apenas na massa salarial não é suficiente para financiar a Segurança Social no futuro. Uma hipótese de financiamento é através das contribuições das empresas, nomeadamente as menos empregadoras, mas com grande volume de capital.”

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, na intervenção na sessão de encerramento da 1ª Convenção Nacional dos Serviços, agradeceu a presença das quase 500 pessoas que, ao longo dos dois dias, passaram pela Fundação Oriente, e deixou algumas reflexões: “Defender uma economia numa lógica segmentada como se fazia no século XIX e ainda no século XX não tem qualquer sentido, por isso temos que trabalhar em cima de novos modelos. No QREN, o investimento apoiado nos serviços correspondeu a apenas 4% do incentivo total atribuído às empresas. Estas prioridades e estrutura de investimento, não nos parecem adequadas às necessidades da economia portuguesa. Por isso, com o trabalho do Fórum dos Serviços, pretendemos chamar a atenção, através de uma reflexão estruturada, para as novas dinâmicas em curso na economia e de que forma as podemos potenciar para introduzirmos maior competitividade. Vamos continuar a trabalhar e a lutar por transformar Portugal num país moderno e capaz de dar cartas na economia global”

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