Avanços na área da Citometria de Fluxo em debate em Lisboa

Especialistas, investigadores, estudantes e outros profissionais e técnicos de saúde estarão reunidos durante três dias, dias 25 a 27 de maio, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, para apresentar e discutir o que de novo se tem feito com esta metodologia em diversas áreas das ciências naturais e biomédicas, de modo particular na Península Ibérica. A manhã do primeiro dia será preenchida com quatro workshops pré-congresso. “O programa científico conta com oradores de renome que participarão em conferências e workshops com vista a dar conta do estado da arte na tecnologia e abordagens da Citometria de fluxo, tanto na prática clínica como na investigação”, explicou Catarina Martins, presidente da Comissão Organizadora da 15.ª edição do Congresso da SIC.

No primeiro dia, a sessão de abertura traz a Portugal o conceituado professor e investigador norte-americano Paul Wallace, que preside atualmente à International Society for Advancement of Cytometry (ISAC). “A partir daí todas as sessões serão, na generalidade, sessões paralelas onde, de um lado, estaremos a privilegiar sobretudo a abordagem clínica e, do outro, a investigação, atraindo, assim, públicos diferentes”, esclareceu a investigadora. A segunda sessão plenária, no início do segundo dia, ficará a cargo do português Alberto Órfão, reconhecido médico, professor e investigador, radicado em Espanha, onde lidera há vários anos uma larga equipa multidisciplinar, com assento na vanguarda da investigação clínica em Hemato-oncologia. A investigadora espanhola Julia Almeida, será a última palestrante em sessão plenária, no dia do encerramento do congresso.

Médicos e farmacêuticos, com particular ligação ao diagnóstico laboratorial, biólogos, bioquímicos, investigadores, professores universitários e estudantes de mestrado e doutoramento são os principais destinatários deste Congresso transversal e multidisciplinar.

A Citometria de fluxo, através de uma interação tripla entre sistemas de fluídos, ótica e eletrónica, permite uma análise multiparamétrica, em simultâneo, e quase em “tempo real” de partículas tão diversas como células, esferas, microvesículas ou microrganismos. A possibilidade de, para além da sua caracterização, as células, bem como outro tipo de partículas, poderem ser separadas e isoladas de acordo com as suas propriedades específicas (Cell Sorting), colocam a Citometria de fluxo num local de destaque em vários campos da ciência.

“Um citómetro de fluxo é um equipamento que, através da emissão de um feixe de luz, laser, vai excitar diferentes componentes celulares, próprios ou adquiridos pelas células. Assim, quando uma célula atravessa o laser, os diferentes elementos a ela ligados passarão eles mesmos a emitir fluorescência, de forma específica, isto é com cores diferentes. É então que os detetores do citómetro, aliados a uma rede complexa de lentes e espelhos, vão distinguir cada um destes sinais luminosos, numa verdadeira caracterização multidimensional da célula a estudar. E podem estudar-se mais de 1 milhão de células de uma única amostra”, detalhou Catarina Martins. “A Citometria é um campo onde se tem verificado uma grande evolução tecnológica nos últimos anos. Começámos há mais de 20 anos com duas, três ou quatro cores: neste momento os citómetros mais avançados já conseguem trabalhar naquilo que é, realmente, uma experiência multicolor, diferenciando mais de 16 cores distintas. Tendo em conta as múltiplas e constantes novidades, quer na área clínica, onde vão surgindo protocolos de validação, cada vez mais completos, quer na investigação, onde a versatilidade da Citometria se conjuga com outras áreas, o Congresso da SIC é uma oportunidade de atualização e debate, para consolidar e potenciar ainda mais este crescimento”, acrescentou.

O Congresso da Sociedade Ibérica de Citometria é um evento bianual, que dando relevo ao trabalho realizado no contexto ibérico, reúne participantes de todo o mundo. “Este encontro é fundamental para harmonizar aquilo que é possível na clínica e, igualmente, para aumentar o intercâmbio de tecnologias e conhecimentos, contribuindo para melhorar a rede de contactos dos investigadores, que é crucial em qualquer projeto de investigação, e sobretudo para o avançar do conhecimento científico”, afirmou a presidente do Comité Organizador do Congresso.

Em suma, a Citometria de fluxo é uma metodologia com aplicação multidisciplinar. A sua contínua expansão e melhoria técnica, que a transporta para um universo cada vez mais multicolor, tem-lhe permitido encontrar espaço na investigação de base em Ecologia ou Microbiologia, mas em particular na investigação biomédica. Abraçando áreas desde a Hemato-Oncologia, à Imunologia e a Imunoterapia, à Reumatologia, aos estudos de Farmacologia ou à Transplantação, tem contribuído fortemente para o diagnóstico e a avaliação terapêutica em diferentes patologias, num caminho, que se antecipa longo e muito promissor.

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