‘Portugueses com insuficiência cardíaca consomem elevados recursos’

Em 2014, os doentes com insuficiência cardíaca (IC) acompanhados em cuidados de saúde primários tinham uma idade média de 77 anos e mais de metade (58%) eram mulheres. A esmagadora maioria (93%) tinha pelo menos uma outra doença relevante associada, sendo as mais frequentes a pressão arterial elevada (81%), diabetes (32%) e doença isquémica do coração (27%). Os doentes realizaram, em média, 5 consultas com o médico de família e a quase totalidade consumiu medicamentos relacionados com a sua doença cardiovascular, durante esse ano. Em contrapartida, cerca de um terço (35%) não realizou quaisquer exames médicos relacionados com a doença cardiovascular, no contexto do seu seguimento nos cuidados de saúde primários. Em média, o custo de seguimento destes doentes nos cuidados de saúde primários foi estimado em 552€ por ano, sendo a medicação o principal componente deste custo. O consumo de recursos foi mais elevado no grupo etário dos 70 aos 79 anos de idade.

Estas são algumas das conclusões de um estudo realizado pelo Centro de Medicina Baseada na Evidência da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa em colaboração com o Centro de Estudos Aplicados (CEA) da Católica Lisbon School of Business and Economics e financiado por uma bolsa de investigação da Novartis, apresentado no Congresso Europeu de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Europeia de Cardiologia, que decorreu entre os dias 29 de abril e 2 de maio, em Paris.

A análise incidiu sobre uma população de 1,9 milhões de utentes que teve pelo menos uma consulta com o médico de família na Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo durante 2014. Destes, 25 000 (1,4%) estavam registados com o diagnóstico de insuficiência cardíaca. Este valor é cerca de 30% do esperado de acordo com a prevalência da doença em Portugal. A diferença pode ser explicada pelo facto do diagnóstico de IC não ter sido registado (sub-registo) ou realizado (subdiagnóstico) em cuidados de saúde primários, ou ainda, pelo facto de o doente não ter tido nenhuma consulta com o seu médico de família durante 2014.

Para quem vive com IC, os sintomas podem ser muito debilitantes1: dificuldade em respirar (dispneia); membros inferiores inchados devido a acumulação de líquidos; fadiga intensa; tosse / pieira; náuseas; aumento de peso devido à acumulação de líquidos. Contudo, tendo com conta as co-morbilidades associadas, estes sinais e sintomas podem ser facilmente atribuídos a outra doença, levando a um subdiagnóstico da IC.

Pin It on Pinterest