Direitos das mulheres precisa ser prioridade de governo nas próximas eleições

Parece ecoar e entoar com vozes da verdade a máxima de Simone de Beauvoir “Basta uma crise política, econômica e religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados.”, indubitavelmente essa é uma fotografia sem filtros da realidade das mulheres brasileiras.

Embora o Brasil ocupe o 5o lugar em mortes de mulheres em todo mundo , que a cultura do estupro seja refrão de música mais tocada e que a cada 11 minutos uma mulher é vitima de violência sexual , ainda sim nossos direitos bailam ao soprar de qualquer vento.

O silêncio da execução de politicas públicas para as mulheres tiram o sono, porque o barulho da omissão é ensurdecedor. Nem as vozes de promessas eleitorais são capazes de ninar as angustias que assombram os direitos humanos das mulheres.

Espera-se que as politicas afirmativas em prol dos direitos das mulheres, da igualdade e de enfrentamento à violência doméstica sejam tratadas com prioridade pelos candidatos para a próxima eleição. Não se trata de um pedido de socorro, mas uma exigência que os direitos humanos das mulheres sejam inatingíveis e preservados, que as políticas públicas não sejam de cunho residual, mas afirmativas e efetivas. O enfrentamento à violência contra as mulheres e a garantia de seus direitos requer um profundo processo de mudança e de compromisso nas campanhas eleitorais, o qual exige um combate articulado, em que é repudiada qualquer forma de negligência.

Afirmar-se que as propostas politicas que abarquem o enfrentamento às violências contra as mulheres e ainda lhes garantam a plenitude de seus direitos, essa é a postura vanguardista que se almeja dos futuros candidatos para a próxima eleição.

É inadmissível que as propostas de governo fiquem inertes diante de tamanha violação aos direitos das mulheres, sendo necessária a adoção de políticas públicas que, em primeiro lugar, objetivem a prevenção da violência, dando-se primazia aoprincípio da dignidade da pessoa humana, e, sobretudo o enfrentamento da desigualdade de gênero.

Considerando que a violência domestica e familiar ultrapassam o limite do lar e refletem seus efeitos devastos em outros setores sociais, como na economia, afetando a sociedade e o poder público. Assim não há espaços para inércia, pois os índices de violências domésticas são assombrosos. É relevante ressaltar que a desigualdade de gênero e violência contra as mulheres

resulta um desequilíbrio econômico em cadeia, sendo necessário trabalhar o Estado, nas políticas necessárias, como indispensáveis ao progresso da democracia, assim como a adequação do mercado de trabalho em prol da equidade. Não há traços utópicos e sim uma constatação de aplicação plena de prioridades como: assegurar as mulheres liberdades básicas; executar as leis de combate à violência contra as mulheres e aumentar significativamente as políticas públicas em favor delas. Assim, espera-se que o vespeiro da violência doméstica e familiar seja tocado por corajosos políticos, com destemidos planos de governo que trabalhem na prevenção e no combate às diversas formas violências contra todas as mulheres.

 

Dra. Cândida Cristina Coelho Ferreira Magalhães

advogada, palestrante, poetisa e militante feminista.

Pin It on Pinterest

Advertisment ad adsense adlogger