‘Reféns’ do COVID-19: transmitir os sentimentos «à distância» de um abraço.

Tendo em conta a situação atual da pandemia, a indicação de ficar de quarentena em casa, ou nas instituições se for o caso, é para cumprir. Porém, é difícil manter a calma, diante da incerteza, do que será o dia de amanhã.

A quarentena levou a que muitos se resguardassem em suas casas, distante de outros familiares mais chegados, pais, avós, o que tem suscitado alguma inquietação. Principalmente nos mais idosos. Explicar-lhes que não devem sair de suas casas, ou dos lugares onde se encontram a ficar, como lares e outras instituições, não tem sido tarefa fácil para os próprios familiares e profissionais.

Começa a se tornar uma situação dita ‘normal’ deixar algo, comer ou medicamentos, a casa dos pais, avós, e não lhes poder tocar, abraçar. Por motivos de segurança, deles e dos outros, de se manterem saudáveis.

É preciso não alarmar, mas informar. Explicar que a situação é preocupante e requer medidas seguras, rígidas, para que o vírus não se propague. Os mais idosos são os que mais sofrem com esta ‘separação forçada’ da sua família, dos filhos, dos netos, e é importante arranjar soluções para que ultrapassem esta imposição sem ficarem com ansiedade e tristes.

Um desses exemplos verifica-se na Santa Casa da Misericórdia de Machico (SCMM).

Eulália Remesso, coordenadora administrativa financeira da SCMM, em declarações ao «Tribuna», disse que a equipa que trabalha no lar tem feito um trabalho no sentido de manter os seus idosos distraídos, animados, e principalmente felizes. Um trabalho que, segundo adianta, não tem sido fácil mas tem tido resultados positivos.

As vídeo chamadas para os familiares tem sido bem aceite pelos utentes do lar, pois para além de ouvirem as vozes dos seus entes queridos, podem os ver do outro lado do ecrã.

De acordo com Eulália Remesso, esta é uma das maneiras de tranquilizar também os familiares que não os podem visitar por enquanto, devido às medidas de contingências atuais de suspensão das visitas aos Utentes do Lar Agostinho Cupertino da Câmara, de acordo com as instruções recebidas do Governo Regional.

Uma dos desafios lançados as utentes foi que fizessem uma mensagem para mostrar para os seus familiares como estão e o que sentem. Para os tranquilizar, tanto aos que estão fechados no lar como aos que estão do outro lado.

Eulália Remesso afirma ao «Tribuna» que é importante manter a sanidade mental dos utentes e introduzir tarefas, rotinas, para que estejam distraídos e ocupados.

A obrigação de manter a distância face à propagação do vírus obriga a não haver cumprimentos mais próximos, um carinho, um afeto mais próximo.

Por enquanto, ficam apenas os sorrisos de quem está acompanhando-os neste momento de incertezas, em que se vive um dia de cada vez.

Fica aqui o registo de algumas imagens (autorizadas por Eulália Remesso) com as mensagens para familiares e amigos que fazem toda a diferença.

 

 

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