Tecnologia transforma os equilíbrios no sector automóvel

O setor do automóvel atravessa mudanças estruturais significativas. O último estudo setorial divulgado pela Crédito y Caución evidencia as alterações de equilíbrio de poder na cadeia de abastecimento, a favor de alguns fornecedores face aos fabricantes.

“As novas tendências, como os motores ecológicos ou a digitalização, poderiam mudar toda a indústria automóvel e apresentar-se como desafios para os tradicionais fabricantes de automóveis. As empresas de tecnologia entraram neste mercado como novos operadores, enquanto os fornecedores mais avançados poderiam aumentar a sua influência sobre os fabricantes através do desenvolvimento de novas tecnologias necessárias para a digitalização e a condução autónoma. Os fornecedores inovadores e especializados registram inclusivamente margens de lucro superiores às dos fabricantes”, revela o relatório.

O risco de crédito do setor permanece estável. No entanto, qualquer deterioração da situação económica mundial sentir-se-ia de imediato na indústria automóvel, aumentando o risco de crédito na maioria dos fornecedores mais débeis do setor.

Em Espanha, o setor automóvel é um setor-chave da economia, representando 10% da indústria e cerca de 9% do emprego. O segundo maior fabricante de automóveis da Europa, e o nono no ranking mundial, com 17 unidades de produção e 3 grandes produtores de componentes de todo o mundo. A produção voltou aos níveis pré-crise em 2015, graças a uma fase de expansão que continuou em 2016. As ameaças no caso espanhol centram-se na crescente concorrência das economias emergentes e a elevada dependência da exportação.

A França enfrenta certos problemas de excesso de capacidade de alguns dos seus segmentos de atividade e uma falta de atração de capital privado. Enquanto as margens dos fabricantes aumenta, devido ao relançamento do mercado mundial de automóveis, as margens dos fornecedores permanecem sob pressão, o que exige uma maior produtividade e preços mais baixos. Muitos tiveram de subcontratar instalações de produção em países com custos mais reduzidos, uma internacionalização que requer um alto investimento e reestruturação para fazer frente a novos ambientes do mercado.

Na Alemanha, líder tecnológico do setor, as margens têm diminuído nos últimos anos, devido a uma crescente concorrência e pressão sobre os preços de venda. O setor precisa de capital em investigação e desenvolvimento para manter-se frente à concorrência nas novas tendências e tecnologias como os motores elétricos ou a condução autónoma.

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