Priolo em situação mais favorável mas ainda ameaçado

Foi divulgada a 7 de dezembro, pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), a nova edição da Lista Vermelha mundial, onde estão listadas todas as espécies em perigo no mundo. Numa altura em que a maioria das espécies se encontra cada vez mais ameaçada, o Priolo, ave endémica de São Miguel, viu o seu estatuto revisto favoravelmente, tendo sido classificado como Vulnerável, o mais baixo para espécies em risco de extinção.
Esta melhoria, resultante de um intenso trabalho de conservação desenvolvido pela SPEA, Governo dos Açores e mais parceiros há mais de 14 anos, não significa que o priolo esteja fora de perigo e é necessário muito trabalho para garantir a sobrevivência desta espécie única dos Açores.
Esta é a segunda revisão em uma década do estatuto desta ave endémica, já que em 2010 – Ano Internacional para a Biodiversidade – passou de Criticamente em Perigo de Extinção, para Em Perigo de Extinção. O Priolo é, assim, um dos poucos exemplos de recuperação, a nível europeu, sendo que lamentavelmente a maioria das espécies que viram o seu estatuto alterado foi para uma situação mais critica.
Esta revisão teve como base os resultados dos censos anuais desta espécie e foi reforçada pelos dados obtidos nas 3 edições do Atlas do Priolo, coordenado pela SPEA em 2008, 2012 e 2016. Estes apontam para uma estabilização da população, atualmente com estimada acima dos 1000 indivíduos (intervalo de erro entre 627-1996 aves, dados de 2016) sendo possível observar flutuações anuais normais para uma população tão pequena e restrita.
Esta melhoria do estatuto do Priolo é vista pela SPEA como um passo muito positivo para a recuperação de uma ave única dos Açores e o reconhecimento de mais de 14 anos de trabalho, mas é fundamental sublinhar que sem as medidas necessárias de conservação poderemos, em poucos anos, assistir a um retrocesso desta melhoria. O estatuto de Vulnerável é o mais baixo para espécies globalmente ameaçadas e em risco de extinção.
Os vários projetos de conservação implementados na área de distribuição do Priolo, com a contribuição do “Programa LIFE da Comissão Europeia” e co-financiados pelo Governo dos Açores, permitiram recuperar, através do controlo de espécies de plantas invasoras, cerca de 370 hectares de floresta nativa – Laurissilva dos Açores – em zonas prioritárias para o Priolo integradas na rede europeia Natura 2000 e também do Parque Natural de Ilha de São Miguel. Estes terão sido fundamentais para a recuperação e estabilização da população de Priolo mas também essenciais para outras espécies e habitats prioritários que ai se encontram.
Ainda assim, as restantes áreas de Laurissilva circundantes (cerca de 1000ha) apresentam, de ano para ano, níveis cada vez maiores de degradação e invasão de espécies exóticas como a conteira e o incenso, entre outras. Mesmo as zonas já recuperadas necessitam de manutenção devido à ameaça constante de reinvasão das espécies exóticas que continuam a surgir e podem reverter o trabalho realizado.
Apesar dos sucessos e ações desenvolvidas no âmbito do atual LIFE+ Terras do Priolo (que termina em 2018) é essencial garantir a curto e a longo prazo a manutenção das áreas recuperadas, e recuperação de novas áreas que hoje se encontram em grave risco de serem perdidas para as espécies invasoras.
Segundo Joaquim Teodósio, Coordenador da SPEA Açores, “o trabalho de gestão continuado é essencial para o futuro do Priolo e da maior área de floresta nativa da Ilha de São Miguel.” Este é um desafio que todos juntos, parceiros do projeto, públicos e privados, e a administração regional procuram resolver para o futuro deste património açoriano e mundial.

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