Sampaio ‘fartou-se’ de Santana Lopes

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio admite na sua biografia política que se fartou de Santana Lopes, em Julho de 2004, quando decidiu dissolver o parlamento e convocar eleições antecipadas.

“Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva, mas não foi uma decisão ‘ad hominem’. Ninguém gosta de dissolver o parlamento e eu tomei essa decisão em pouco mais de 48 horas. Hoje faria o mesmo, porque era preciso”, salienta o ex-chefe de Estado no segundo volume do livro escrito por José Pedro Castanheira, que será lançado a 20 de Março.

No livro, segundo o DN, o ex-Presidente fala abertamente da crise política do Verão de 2004, quando Durão Barroso deixou o cargo de primeiro-ministro e Pedro Santana Lopes avançou para a chefia do Governo da República.

Sampaio reconhece que voltaria dar posse a Santana Lopes, apesar deste não ter o poder legitimado por uma vitória nas urnas. Mas Santana teve um consulado de poucos meses em São Bento. O ex-chefe de Estado garante que a dissolução “não foi vingança”, até porque “tinha boas relações pessoais” com o ex-primeiro-ministro.

“A minha relação com Santana era muito franca e cordial. Não tinha (nem tenho) nada de pessoal contra ele – tenho até estima. O Presidente tem de ter um diálogo com o primeiro-ministro na base da confiança e tive conversas muito positivas com ele. Pediu-me opinião várias vezes, dei-lhe conselhos francos, mas estive sempre preocupado com o desenrolar dos acontecimentos, que se precipitaram muito rapidamente até descambarem na confusão”, explica. Sampaio na sua biografia política.

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