Superiores hierárquicos são quem mais comete assédio sexual no trabalho

Os superiores hierárquicos/as ou chefias directas eram em 2015 quem mais cometia assédio sexual no local de trabalho, enquanto em 1989 os colegas de trabalho eram os principais agressores. A conclusão é de um estudo promovido pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) e desenvolvido pelo Centro Interdisciplinar de Estudos de Género do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, que dá a conhecer a dimensão desta realidade no local de trabalho e as suas características, comparando os resultados com os de uma investigação levada a cabo há mais de 25 anos com mulheres em Portugal.

Em 1989, cita o DN, “os/as autores/as eram maioritariamente colegas de trabalho (57%) enquanto em 2015 são superiores hierárquicos/as ou chefias directas (44,7%)”, seguindo-se os/as colegas (31.3%) e os clientes, fornecedores/as ou utentes (29.2%).

Comparando os dois anos, a proporção de mulheres que refere situações de assédio sexual no local de trabalho diminuiu de 34% para cerca de 14%. “As mulheres eram mais assediadas do que são agora, também porque era um fenómeno menos denunciado. Agora, as mulheres reconhecem mais e rejeitam mais o assédio sexual”, refere a investigadora. Enquanto em 2015 a maior parte das reacções imediatas envolvia “o confronto do outro mostrando desagrado imediato (52%)”, em 1989 fazer de conta que não se notou a situação era a reacção mais frequente (49% das mulheres). Actualmente, apenas 22,9% das mulheres fazem de conta que não notam o que está a acontecer.
Tanto no assédio moral como sexual, Portugal encontra-se acima da média dos países europeus. O primeiro atingia valores de 16.5% em 2015, quando a média na Europa era de 4.1%. Já no que diz respeito ao assédio sexual, a percentagem de população atingida era 12,6%, enquanto nos países europeus se situava nos 2% em 2010. A grande maioria dos homens e mulheres vítimas de assédio sexual tem um vínculo precário e instável.

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