Museu do Açúcar dinamiza amanhã último workshop do ano letivo

O Museu A Cidade do Açúcar dinamiza esta quinta-feira o último de uma série de workshops, conferências e seminários temáticos que estão a decorrer desde o passado mês de fevereiro, sob o título “O Ciclo do Açúcar”. A principal missão deste conjunto de eventos tem sido dar a conhecer aos visitantes os principais testemunhos da produção e tecnologia açucareira que este museu preserva no seu acervo, daquele que é um dos períodos económicos mais significativos de toda a História da Madeira (séculos XV a XVII). Estas foram atividades pensadas para todos os públicos e que têm permitido que o museu se torne mais interativo entre a sua exposição e a comunidade.

A derradeira conferência agendada para o corrente ano letivo 2017/18 será, assim, realizada amanhã, dia 22 de junho, pelas 15h30, no Museu do Açúcar, e terá como tema “As Palavras da Cultura Açucareira no Atlântico”. A oradora convidada é a Professora Doutora Naidea Nunes, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e mestre em Linguística Portuguesa, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Naidea Nunes é, ainda, doutorada em Linguística Romântica pela Universidade da Madeira e pós-doutorada em Ciências da Linguagem e Linguística Aplicada pelo Instituto Universitário de Linguística Aplicada da Universidade Pompeu de Fabra, em Barcelona (Espanha).

A oradora explica que “as palavras têm uma origem, uma história e um percurso geográfico associados à evolução civilizacional e à mobilidade humana. Desta forma, algumas palavras da Cultura Açucareira no Atlântico chegaram à Madeira do Mediterrâneo, mas outras surgiram do grande desenvolvimento da produção açucareira na ilha.” A partir da Madeira, refere Naidea Nunes, “a tecnologia e a terminologia açucareiras foram levadas diretamente para as Canárias, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e Brasil e, indiretamente, através das Canárias, para toda a América Latina. É por isso que, hoje em dia, ainda encontramos, em todos esses territórios, onde se conserva a produção açucareira tradicional ou industrial, palavras da antiga cultura açucareira madeirense.” Este será justamente o tema da conferência desta quinta-feira, rematando a investigadora que “o açúcar de cana foi provavelmente o primeiro produto global que cimentou a unidade linguística e cultural que existe entre os dois lados do Atlântico.”

A Câmara Municipal do Funchal tem procurado ativamente dinamizar o renovado Museu do Açúcar, capitalizando a sua reabertura e procurando fazê-lo extrapolar o carácter mais estanque deste tipo de museu tradicional. É já no próximo dia 4 de julho que o Museu A Cidade do Açúcar assinala um ano desde a sua reabertura de portas, encerrando um hiato de seis anos, imposto pelas inundações do temporal de 20 de fevereiro de 2010, e a resposta de madeirenses e turistas tem sido de relevar, traduzindo bem a dinâmica que foi empregue ao novo espaço.

 

 

Pin It on Pinterest