A Festa do Rali

Agosto é o mês das festas, mas ao nível do automobilismo, a grande festa foi sem dúvida o Rali Vinho Madeira. Na sua 59ª edição, o Rali Vinho Madeira apresenta-se ao público madeirense com menos vigor que em edições passadas, mas estará, contudo, em boa altura para um balanço e para um retomar de opções que vêm abrilhantar a prova, como é o caso do possível regresso ao Europeu da modalidade, facto que só por si garantia a atratividade do “nosso” rali a nomes mais sonantes do panorama automobilístico.

Na edição deste ano, conseguiu a organização investir num novo pódio, uma aquisição que proporcionou um cenário diferente do habitual, bem decorado e apelativo, localizado desta feita na Praça do Povo, e que não deixou indiferentes madeirenses e visitantes, tendo proporcionado igualmente boas imagens nas partida e chegada dos concorrentes.

Com as previsões meteorológicas a apontar bom tempo para os dias de prova, as hostilidades foram abertas com a mítica super especial da Avenida do Mar, donde Armindo Araújo saíu como primeiro líder do Rali Vinho da Madeira 2018. O piloto da Team Hyundai Portugal foi o mais rápido na Prova Especial de Classificação da Avenida do Mar, com o tempo 00:01:39,0. “Correu bem, não cometemos erros e o carro está bom”, referiu no final.

Na segunda posição ficou Pedro Meireles, com o tempo de 00:01:40,0, seguido do algarvio Ricardo Teodósio (00:01:40,5). Giandomenico Basso, que foi o mais rápido nesta prova na edição de 2017, ficou-se pelo 5º lugar (00:01:40,8). No final confessou que a prova “não correu muito bem”, mas que foi “divertido” e que amanhã vai andar rápido. O melhor madeirense foi Miguel Nunes, que completou esta prova em 00:01:40,9, alcançando a sexta posição. Alexandre Camacho fez o 11º tempo.

O dia seguinte começou com Alexandre Camacho a mostrar que apenas estava a ser cauteloso na super especial, vencendo as duas primeiras classificativas do dia, enquanto que Giandomenico Basso parava com problemas graves na transmissão da sua viatura. Recorde-se que este piloto italiano, aos comandos dum Hyundai i20 R5, apresentava-se à partida como sério candidato à conquista daquela que seria a sua quinta vitória na prova rainha regional, tendo, contudo, um pequeno toque danificado a transmissão e obrigado o piloto transalpino a abandonar a prova, com promessa dum regresso no dia seguinte à competição, facto que acabou por não se concretizar derivado à não chegada à região do material em falta para aquela viatura. Mais uma vez, o problema da insularidade a penalizar o espetáculo do Rali Vinho Madeira.

Miguel Nunes andou também com um ritmo muito forte, sempre com Armindo Araújo no encalce, embora com vantagem para o piloto madeirense.

A PEC 5 ficou marcada pelo despiste de João Silva, navegado por Vitor Calado, que obrigou a organização a interromper a classificativa para assistir a dupla de concorrentes. Apesar do pouco aparato do acidente, João Silva bateu forte numa curva, tendo a equipa de ser assistida no local pela EMIR e sido transportada para o Hospital para observações mais profundas, especialmente ao navegador que se queixava de problemas respiratórios e suspeita de fratura numa costela. Um acidente que veio criar algum ruido aquando da evacuação por ambulância da equipa, já que a PSP desviou a ambulância para um arruamento que estava bloqueado com viaturas mal estacionadas, tendo o transporte demorado demasiado tempo… Uma questão a rever no futuro.

Depois de uma longa 4ª secção do Rali Vinho da Madeira, Alexandre Camacho consolidou a sua liderança, ao vencer quase todas as classificativas, partindo para o último dia de prova como líder do rali.

No início da 4ª secção, com viragem para Norte da ilha, mais propriamente para a cidade de Santana, Miguel Nunes quebrou a sequência de quatro vitórias de Alexandre Camacho. Miguel Nunes foi mais rápido na PEC6 (Cidade de Santana 1), ao fazer o tempo de 00:06:42,4, seguido de perto de Alexandre Camacho (00:06:44,1). José Pedro Fontes alcançou o terceiro lugar (00:06:48,1).

Apesar desta ‘mudança de líder’ nesta PEC, Alexandre Camacho manteve-se na primeira posição na geral, seguido de Miguel Nunes e José Pedro Fontes.

Na PEC7 (Ribeiro Frio 1), Alexandre Camacho voltou ao comando das provas, ao fazer o melhor tempo (00:06:00,2). Contudo, Miguel Nunes continuou bem em cima do campeão em título do Rali Vinho da Madeira, conquistando o segundo melhor tempo (00:06:00,4). O terceiro lugar continuou a pertencer a José Pedro Fontes (00:06:08,3). Na geral, tudo se manteve igual.

A PEC8 (Terreiro da Luta 1) decorreu sem alterações. Alexandre Camacho foi mais rápido (00:05:04,1), Miguel Nunes foi segundo (00:05:05,0) e José Pedro Fontes terceiro (00:05:12,6). O mesmo aconteceu na PEC9 (Cidade de Santana 2), com Alexandre Camacho a fazer o tempo de 00:06:35,3, Miguel Nunes 00:06:35,9, mesmo atrás e a pressionar, e José Pedro Fontes 00:06:40,7.

Na PEC10, Alexandre Camacho continuou imparável (00:05:55,6) e com os mesmos adversários a tentarem ganhar terreno.  Miguel Nunes completou esta classificativa em 00:05:58,0 e José Pedro Fontes em 00:06:02,9.

Na última prova do dia, na PEC11 (Terreiro da Luta 2), nada de novo. Alexandre Camacho dominou novamente (00:05:01,1), mas Miguel Nunes não desarmou (00:05:04,8) e José Pedro Fontes não facilita na terceira posição (00:05:07,1). Na geral, mantém-se também esta mesma ordem, com Miguel Nunes a 31 segundos de Alexandre Camacho.

No arranque da 5ª secção, Alexandre Camacho foi o mais rápido (00:07:29,0), com Miguel Nunes a ficar a 1 segundo deste tempo (00.07:30.0). Miguel Barbosa tomou de assalto o terceiro lugar, que vinha sendo ocupado por José Pedro Fontes, fazendo o tempo de (00:07:33,9). O piloto do Citroen C3 R5 foi apenas 6º, tendo sido ultrapassado por Pedro Paixão e João Barros.

Na PEC13, tudo igual. Alexandre Camacho não desacelerou e foi novamente primeiro (00:05:09,3), com Miguel Nunes por perto (00:05:11,1). Mudança no terceiro lugar: João Barros ‘destronou’ Miguel Barbosa, ao fazer o tempo de 00:05:15,5. Miguel Barbosa foi 4º e José Pedro Fontes 5º. Na PEC14, Camacho continuou a liderar (00:07:48,6), com Miguel Nunes no encalce e a única alteração foi a entrada de Rui Pinto (00:07:55,5) no Top 3 da classificativa. José Pedro Fontes, terceiro da geral, ficou em 4º nesta PEC.

Na PEC15 (Rosário 1), Alexandre Camacho não cedeu, não levantou o pé. Foi novamente 1º na prova com o tempo 00:07:00,6, com Miguel Nunes sempre em segundo (00:07:05,9) e José Pedro Fontes em terceiro (00:07:08,3).

A 6ª secção do RVM arrancou com Alexandre Camacho novamente na frente, ao vencer a PEC16 (Câmara de Lobos 2). Nesta classificativa até melhorou o tempo em relação à primeira passagem (00:07:26,5). Destaque para o facto de esta PEC ter no seu Top 3 três madeirenses, já que Miguel Nunes foi segundo (00:07:31,4) e Pedro Paixão terceiro (00:07:32,1).

A PEC17 (Ponta do Sol 2) decorreu sem grandes surpresas. Alexandre Camacho fez o melhor tempo (00:05:09,0), melhorando 3 décimas de segundo em relação à primeira passagem. Miguel Nunes foi segundo (00:05:12,9) e José Pedro Fontes voltou à terceira posição (00:05:13,7).

Na PEC18 (Ponta do Pargo 2), um susto para Alexandre Camacho. Um furo fê-lo completar a prova com mais 11 segundos em comparação com o tempo da primeira passagem. O piloto desceu na tabela nesta prova. Miguel Nunes foi primeiro (00:07:51,5), um Rui Pinto foi segundo (00:07:55,6) e José Pedro Fontes terceiro (00:07:57,1). Alexandre Camacho conseguiu, mesmos assim, aguentar o quarto posto (00:07:59,6). Nesta prova, Miguel Barbosa sofreu um acidente, num momento em que estava a somar pontos importantes para o Campeonato de Portugal de Ralis. Com esta situação, o madeirense Pedro Paixão subiu ao 4º lugar da geral.

Na PEC19 (Rosário 2), Alexandre Camacho fez tranquilamente a prova, somando mais um primeiro lugar (00:07:01,6). Todavia, esta prova foi interrompida devido a um incêndio no carro de Pedro Paixão, que ia bem lançado na geral. A Direção de Prova decidiu atribuir o tempo de Ricardo Teodósio/José Teixeira aos demais pilotos.

Alexandre Camacho sagrou-se assim campeão, pela segunda vez consecutiva, do Rali Vinho da Madeira, após um domínio praticamente total desta prova: somou 16 primeiros lugares, um 2º lugar, um 4º lugar e um 11º lugar (na Especial da Avenida do Mar).

Na geral, Miguel Nunes ficou em segundo lugar, a 39,1 segundos do vencedor. José Pedro Fontes fechou o pódio, a 00:02:10,1 de Alexandre Camacho.

Vasco Silva, rodou a um bom nível e foi quarto entre os regionais, seguido de Pedro Mendes Gomes aos comandos dum Peugeot 208 R5 que se ficou pela quinta posição entre os pilotos da Madeira.

Relatado todo o Rali, apenas alguns apontamentos finais: Rui Pinto mostra-se cada vez mais adaptado ao seu Focus WRC, um carro que só vem ajudar a enriquecer o interessante parque automóvel regional e cuja condução é bem agradável de se ver; João Silva, demonstrou que poderá ter algo mais a dizer em eventos futuros com um maior conhecimento deste carro, provando contudo a teoria de que é necessário fazer muitos mais quilómetros com uma viatura antes de se realizar um Rali Vinho Madeira, o mesmo se aplicando a Pedro Mendes Gomes que esperamos no futuro se apresentem com um carro mais musculado em todo o regional de ralis; e Pedro Paixão foi efetivamente o azarado da corrida vendo o incêndio nos metros finais da sua última classificativa comprometer uma prova brilhante que realizou e o quarto lugar geral que na altura ocupava cair assim por terra.

Contudo, o desporto é feito de sorte e azar e, neste momento, resta-nos apenas aguardar por uma 60ª edição do Rali Vinho Madeira com uma lista de inscritos bem mais apelativa que a deste ano, com um rali eventualmente pontuável para campeonatos mais atrativos e que se comece a reconhecer as mais valias económicas e sociais que o desporto motorizado gera numa região como a nossa. Até à próxima colheita do Vinho Madeira!

Texto: Nélio Olim / Fotos: Nelson Martins

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