Deputado timorense quer controlar páginas da internet

Um deputado timorense apelou hoje ao Governo para que tome medidas imediatas para controlar as páginas da internet que se tornaram “uma doença para a qual não há comprimidos”.

“É preciso tomar medidas imediatas para travar estas coisas que podem prejudicar a mentalidade da nossa sociedade”, afirmou o deputado Jorge Teme, da Frente Mudança, na sessão de hoje do plenário.

Teme, que foi ministro da Administração Estatal no anterior Governo, considerou que é necessário “controlar” os sítios da internet “que não têm filtros”, defendendo a aprovação de um “regulamento que regularize o conteúdo da internet”.

“Peço ao Governo, através do Ministério de Comunicação, para fazer um rascunho para propor ao Parlamento Nacional para que nós possamos regularizar os conteúdos de informações na internet”, disse, considerando que “esta tecnologia sofisticada” está a “assassinar o carácter da sociedade”.

Com o acesso à internet em Timor-Leste, o uso das redes sociais está a crescer e algumas dessas plataformas tornaram-se o principal espaço de partilha de informação e de debate, com comentários muitas vezes críticos ao Governo. Isto tem suscitado comentários críticos de alguns líderes políticos, tendo já havido pedidos à polícia para investigar portais informativos online.

Em Setembro do ano passado, o então director nacional da Polícia Científica de Investigação Criminal (PCIC) timorense disse que a instituição levou a cabo uma investigação sobre uma das páginas na internet mais críticas da liderança política do país. Hermenegildo da Cruz – que foi exonerado pouco tempo depois por insubordinação – disse que, ele próprio, autorizou os seus investigadores a realizar uma “investigação profunda sobre o `website` Timor Au Nian Doben”, página que existe desde 2010 e que se tornou nos últimos anos um dos espaços mais críticos do Governo.

Na altura, o primeiro-ministro, Rui Maria de Araújo, garantiu que o Governo timorense não está a estudar qualquer regulação dos media online e lamentou que na internet continuem a ser feitas acusações sem factos contra membros do Governo.

Rui Araújo sublinhou a dificuldade de fazer esse regulamento e insistiu que não há nenhum projecto sobre a mesa.

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