Previsões do aumento da morosidade e dos incumprimentos no México em 2017

A Crédito y Caución prevê que o PIB do México cresça 1,5% em 2017. Esta conclusão é retirada do mais recente relatório difundido pela companhia, no qual se analisa a situação de uma das economias mundiais mais expostas à incerteza em torno da renegociação do NAFTA – Acordo de Livre Comércio da América do Norte. “Perspetivamos um abrandamento do crescimento da economia mexicana devido, em grande medida, à incerteza das políticas nos Estados Unidos. Como resultado, os atrasos de pagamento e as insolvências vão aumentar em 2017. Mas no nosso cenário base, não esperamos que o efeito Trump seja demasiado desestabilizador. Graças à eficácia das medidas para reduzir a vulnerabilidade externa e diversificar os parceiros comerciais, esperamos que o crescimento do PIB aumente a médio prazo graças à recuperação do investimento”, explica o relatório.

A economia do México depende, em grande medida, dos Estados Unidos, através do comércio e dos investimentos e, em menor escala, das remessas dos imigrantes. A Crédito y Caución recorda que em 2016 “a retórica protecionista de Washington se dirigiu especificamente ao México”, mas desde janeiro “a Administração norte-americana parece ter adotado uma abordagem mais tradicional e pragmática na sua política comercial”. O cenário base do relatório centra-se numa previsão: “Esperamos que a política más ortodoxa se mantenha, mas a incerteza permanece”. O comércio com os Estados Unidos representa 80% das exportações mexicanas e 26% do seu PIB. O relatório recorda que, devido “a elevada integração das cadeias de valor entre os Estados Unidos e o México, algumas grandes empresas norte-americanas também se veriam afetadas negativamente” por uma alteração na política comercial, o que “dissuade a Administração de impor tarifas penalizadoras”.

No que se refere ao investimento estrangeiro, o relatório recorda que, no âmbito do NAFTA, o México beneficiou de fluxos significativos, provenientes em mais de 40% dos Estados Unidos. O estudo prevê que a incerteza em torno da renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte afete estes fluxos de investimento a curto prazo, mas espera que a sua força se recupere a médio prazo. “As possíveis tarifas de importação dos Estados Unidos poderiam fazer com que alguns fabricantes, especialmente nos setores de automatização e eletrónica, fechem as suas portas. No entanto, muitas empresas norte-americanas que fabricam no México estão a exportar para outros países, pelo que não é provável que se vejam prejudicados pelos impostos fronteiriços dos EUA”, explica.

Quanto às remessas enviadas para o país pelos trabalhadores mexicanos no estrangeiro, estas representam mais de 25.000 milhões de dólares, o valor maior elevado do mundo. “Os obstáculos a estas transferências, como um possível imposto norte-americano, diminuiriam as remessas prejudicando a confiança dos consumidores e o consumo privado. No entanto, o efeito sobre a economia total seria limitado, na medida em que as remessas representam apenas 2,2% do PIB mexicano. Além disso, a desvalorização do peso aumentou significativamente o valor das remessas em dólares.”

As perspetivas a curto prazo para o México continuam débeis e altamente vulneráveis a mudanças nos Estados Unidos, mas o cenário base da Crédito y Caución não contempla uma forte deterioração da sua economia. “O país está bem situado para lidar com a incerteza, enquanto a integração da cadeia de fornecimento com os Estados Unidos e a sua estreita integração com as principais economias globais funcionam como amortizador. Isto deveria ajudar a assegurar um sólido crescimento no México, a médio e longo prazo. A médio prazo, também esperamos que a dependência do comércio com os Estados Unidos diminuía à medida que o México fortaleça os laços com a Aliança do Pacífico, o Mercosul e a União Europeia, além de outros 12 acordos de livre comércio com 46 países” .

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