Vulnerabilidade económica cresce na África do Sul

Em março, a África do Sul surpreendeu os mercados financeiros com a substituição do seu ministro das Finanças. Todas as agências de notação responderam com uma revisão em baixa das notações de risco soberano devido às preocupações com a consolidação fiscal, a sustentabilidade da dívida e a formulação de políticas nas instituições públicas. Isto poderia atrasar a recuperação económica e agravar a já fraca confiança no país. Tanto os indicadores de confiança do consumidor como das empresas têm vindo a diminuir nos últimos trimestres e estão nos níveis mais baixos desde a crise financeira mundial.

A África do Sul precisa de mais investimento direto estrangeiro como fonte estável de financiamento, mas os fluxos estão a diminuir desde 2014 e são relativamente baixos desde 2008. A vulnerabilidade à mudança no sentimento de mercado também é visível na taxa de câmbio. Historicamente, o rand é uma moeda volátil que se tem vindo a depreciar desde 2012. Para conter as pressões inflacionárias causadas pelo aumento dos custos das importações era necessário apoiar a moeda. O Banco Central da África do Sul aumentou gradualmente as taxas de juros de 2014 a 2016 em 200 pontos base até 7%.  O aumento das taxas de juros funcionou como apoio à moeda. No entanto, o Banco Central da África do Sul enfrenta um dilema. A diminuição da inflação, que se espera caia dentro do objetivo de 3% a 6%, e a debilidade económica poderiam impulsionar o Banco Central a reduzir a taxa de juros nos próximos meses para apoiar a economia. Contudo, o rand está suportado pelas elevadas taxas de juros na África do Sul e a procura de rentabilidade está a atrai investidores estrangeiros. Nessa medida, é necessário manter um diferencial de juro positivo com os Estados Unidos para atrair investimentos de carteira estrangeiros. A África do Sul constitui um dos cinco mercados emergentes mais vulneráveis às mudanças nos fluxos de capital devido ao seu défice de conta corrente e à sua dependência dos investimentos de carteira.

Apesar das vulnerabilidades e desafios, a África do Sul apresenta uma série de pontos fortes. O setor bancário é sólido e bem capitalizado. O quadro macroeconómico está bem desenvolvido, a adesão ao estado de direito é pilar fundamental para a força das instituições e o Banco Central é independente. Embora a dívida pública tenha aumentado acentuadamente e seja elevada, a dívida em moeda estrangeira é baixa, o que mitiga o risco cambial.

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