Comandante mandou parar instrução dos Comandos

O comandante das Forças Terrestres, o general Faria Menezes, deu ordens para a paragem dos exercícios da instrução dos Comandos após a morte do madeirense Hugo Abreu, mas a ordem não foi cumprida. De acordo com o jornal Público, que cita fonte ligada à investigação, a informação consta numa carta recentemente entregue às autoridades. Se confirmar-se, os militares responsáveis pela continuação da instrução incorrem num crime de insubordinação por desobediência previsto no Código de Justiça Militar, o que pode resultar numa pena entre um e quatro anos de prisão.

A carta de Faria Menezes surge como resposta às perguntas da procuradora do Departamento de Investigação e Acção penal (DIAP) de Lisboa, Cândida Vilar. No documento, o general refere que a decisão de ordenar a paragem da “Prova Zero” foi tomada no domingo, dia em que foi declarada a morte de Hugo Abreu, e depois de se ter reunido com o comandante do Regimento dos Comandos, o coronel Dores Moreira, e o director da Prova Zero, o tenente-coronel Maia.

Nesse domingo, 22 instruendos tinham sido assistidos em simultâneo na tenda da enfermaria dos Comandos, mas a prova continuou no dia seguinte, segunda-feira, com os instruendos que estavam aptos. Faria Menezes fala sobre as diligências tomadas no domingo, mas não explica o que aconteceu na manhã de segunda-feira e por que é que a ordem não foi cumprida.

No âmbito deste processo, cinco oficiais e dois sargentos estão já indiciados pelo Ministério Público por crimes de abuso de autoridade e ofensa à integridade física. Hugo Abreu e Dylan Silva morreram na sequência de exercícios dos Comandos em Alcochete, em setembro do ano passado.

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