Modelo de gestão trimestral de quota de goraz irá representar um aumento global do valor desta espécie

O secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia afirmou ontem, no Faial, que com o novo modelo de gestão trimestral do goraz, estima-se que haja um aumento económico global para a captura desta espécie na Região, comparativamente ao ano passado. Gui Menezes defendeu ainda que o Governo dos Açores “está a apoiar os pescadores”, contribuindo para uma gestão “mais racional” da quota do goraz com o objetivo de, no final do ano, “trazer mais rendimento para os pescadores”.

O governante, que falava na Assembleia Legislativa durante um debate sobre a possibilidade de apoio financeiro a pescadores durante período de paragem de captura de goraz, frisou que o Fundo Europeu para os Assuntos Marítimos e das Pescas não prevê apoios para períodos de defeso do tipo que foi adotado na Região.

“Os períodos de defeso impostos para esta espécie tinham como objetivo uma gestão mais racional da quota e não uma gestão biológica do recurso”, disse, acrescentando que este stock “está a recuperar” na Região, ainda que “nalgumas áreas dos Açores a abundância [desta espécie] seja diferente”.

O titular da pasta das Pescas afirmou também que foi realizado um “balanço completo” da gestão da quota em 2016, frisando que logo após o período de defeso, que terminou a 29 de fevereiro, “houve um aumento abrupto das capturas, sendo que o efeito desta medida, do ponto de vista económico, se perdeu”.

Nesse sentido, referiu que em março de 2016 o preço médio do goraz em lota foi de 8 euros, enquanto que no mês de dezembro foi de 21 euros, acrescentando, contudo, que o primeiro trimestre foi o período do ano em que se capturou mais goraz na Região, nomeadamente 117 toneladas.

O secretário regional do Mar defendeu, por isso, um “novo modelo gestão” para esta espécie, referindo que “os problemas não se resolvem com as soluções que lhes deram origem”.

A gestão da quota por trimestre “irá permitir suspender o período de defeso”, defendeu, salientando que “nenhuma associação de pescas discordou desta metodologia” apresentada esta semana durante uma reunião com o setor das pescas.

Durante o debate, Gui Menezes apontou ainda medidas precaucionais implementadas pelo Governo dos Açores para a sustentabilidade das pescas na Região, nomeadamente a proibição do palangre de fundo dentro das 6 milhas da costa nalgumas ilhas, a imposição de tamanhos mínimos, bem como o programa de monitorização das espécies demersais.

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