Tecnologia e alterações demográficas com impacto crescente no setor da construção

A evolução do setor da Construção nos diferentes mercados a nível mundial é díspar, fortemente relacionada com o crescimento económico de cada país, com o sentimento dos investidores, bem como com a confiança de empresários e consumidores. “A atividade de construção civil diverge significativamente em muitos países. No entanto, mesmo nos mercados onde o crescimento do setor tem sido muito robusto nos últimos anos, continua a ser dado adquirido que a concorrência é elevada, as margens são reduzidas, os clientes públicos pagam geralmente tarde e a percentagem de insucessos empresariais continua a ser maior do que na maior parte dos restantes setores”, explica o relatório divulgado pela Crédito y Caución sobre a situação do setor da construção civil no mundo.

“Apesar da sua natureza cíclica, numa perspetiva global, o futuro configura novas oportunidades e desafios para o setor. A tecnologia tem cada vez mais impacto na construção: o surgimento da realidade aumentada, os drones, a impressão 3D, o Building Information Modelling, os equipamentos autónomos e os materiais de construção avançados, vão mudar profundamente o setor”, afirma o relatório que analisa, em detalhe, a situação do setor na Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Bélgica, Espanha, Emiratos Árabes Unidos, França, Holanda, Reino Unido, Singapura e Suécia.

As mudanças demográficas globais desempenham também um importante papel na construção. “A população nas zonas urbanas continua a crescer, o que irá impulsionar a procura de habitações, transportes públicos e infraestruturas de serviços públicos. Em paralelo, muitas sociedades, especialmente no Ocidente, mas também no Japão e na China, enfrentam o envelhecimento da população, o que modificará os padrões de investimento imobiliário”, sublinha a seguradora de crédito.

Em Espanha, principal destino de exportação de Portugal, após anos de severa recessão, o setor da construção mantém uma recuperação sólida. Em 2017 prevê-se um crescimento na ordem dos 3%, impulsionado principalmente pelos segmentos Residencial e Comercial, enquanto o segmento das Obras Públicas e Engenharia Civil registará um crescimento mais moderado. As margens de lucro mantiveram-se estáveis em 2016 e espera-se que assim permaneçam em 2017. Nos últimos anos, a experiência de pagamento no mercado espanhol foi boa, com um baixo número de incumprimentos. “Isto deve-se principalmente ao facto das empresas financeiramente mais débeis terem abandonado o mercado durante a recessão. Prevê-se que as insolvências no setor da construção em Espanha estabilizem ou mesmo diminuam ligeiramente em 2017, depois de importantes reduções em 2015 e 2016”.

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